Júlio Preuss

Júlio Preuss
WNews
Cartão de memória não regravável tem futuro?
Sexta Feira, 23 Novembro, 19h32

Anos atrás, durante uma viagem aos Estados Unidos, minha tia que mora lá se encantou com a minha câmera digital e decidiu comprar uma igual. Seis meses depois, quando nos encontramos novamente, ela disse que precisava da minha ajuda com a câmera. Queria saber o que fazer com as fotos que tirar ao longo daquele tempo. E me estendeu a mão cheia de cartões de memória, todos “usados”.

Na época fiquei com pena. Ela nem sabia que devia transferir as fotos para o computador... mostrava as fotos para os amigos na própria máquina e usava os cartões como se fossem filmes. E, como lá essas coisas são bem mais baratas, comprava um novo sempre que o espaço acabava. Acho até que chegou a comprar uma impressora fotográfica para “revelar” as fotos a partir dos cartões, mas mantia as “originais” lá.

Hoje, depois de ler os rumores sobre um novo lançamento da Sandisk, percebo que a minha tia não devia ser um caso isolado – ou talvez fosse uma visionária. Os boatos dão conta de que a empresa que é quase sinônimo de cartões de memória estaria para lançar uma linha de cartões de uso único, baseados em um tipo de memória não regravável descrito apenas como “3D memory”.

Um desses novos cartões com capacidade de 1GB seria vendido, por apenas US$ 6, em grandes varejistas e farmácias (que, nos Estados Unidos, sempre foram importantes pontos de revelação de fotos). O preço parece bastante atraente, mas nem é tanto assim: uma rápida busca na Amazon.com mostra que é possível comprar um SD reutilizável, com a mesma capacidade e de boa marca, por US$ 10, com frete grátis.

Provavelmente a Sandisk alegaria que seus cartões de uso único são projetados para arquivar fotos a longo prazo (os rumores falam em 100 anos), um argumento capaz de convencer qualquer um que morra de medo de perder suas fotos. Não sei se um cartão comum guardaria seu conteúdo intacto por tanto tempo, mas uma outra notícia divulgada este mês atesta sua durabilidade: encontrada depois de dois anos debaixo d’água, a câmera de um casal que sofreu um acidente de barco em 2005, no Canadá, ainda guardava todas as 300 fotos armazenadas em seu cartão CompactFlash!

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