Quem já viu um fotógrafo profissional em atividade fora de um estúdio tem grandes chances de ter reparado num pedaço de papel ou envelope preso ao flash da câmera por um elástico. Apesar da aparência mambembe, pode ter certeza de que este acessório improvisado já foi responsável pela uniformidade da iluminação de imagens publicadas nos maiores jornais e revistas do Brasil e do mundo.
Iluminar uma cena diretamente, com o flash apontado para ela, costuma trazer uma série de problemas – de olhos vermelhos e reflexos indesejados a sombras muito pesadas. Quem tem um flash externo com cabeça móvel pode evitar o problema apontado-o para o teto, para uma parede ou até mesmo para uma pessoa vestida de branco, de modo a iluminar a cena com a luz rebatida – mais difusa e suave. Exceto quando não há teto, parede ou camisa branca onde rebater o flash.
É nestas situações que surge a necessidade de um rebatedor portátil – que pode ser tão simples quanto o envelope branco preso com elástico ou tão elaborado quanto o LightSphere, um produto que, com todos os acessórios, chega a custar US$ 250. No meio termo, há a linha Omni-Bounce, da Sto-Fen, que tem lá suas ineficiências (principalmente por difundir a luz que deveria ir para o teto), mas ganha pontos por ser fácil de transportar e praticamente indestrutível.
O princípio básico de qualquer uma dessas soluções é criar uma superfície onde a luz do flash possa ser rebatida. Se você entende um pouco de inglês, vale a pena assistir aos vídeos do fotógrafo americano Peter Gregg, que inventou o que ele chama de “um cartão rebatedor melhor”. Apesar de também vender kits prontos, Gregg ensina como fazer o acessório gastando quase nada. Ah, e demonstra suas vantagens sobre as outras opções.
Para quem não tem câmera com flash externo, as possibilidades são bem mais restritas, mas existem – principalmente no campo do “faça você mesmo”. Neste site abandonado há sete anos, encontra-se um passo-a-passo para fazer um rebatedor de alumínio para uma compacta da Nikon. A câmera está fora de linha há tempos, mas a idéia pode ser aplicada a outros modelos. Eu começaria experimentando com papel mesmo.
E por falar em idéias abandonadas e câmeras compactas, descobrimos por acaso que a Kodak patenteou, em 1989, a idéia de uma câmera com flash escamoteável capaz e aponta-lo para cima, para rebater a luz no teto. Parece uma ótima idéia – já que tantas câmeras têm flashes articulados, por que não permitir que eles sejam apontados para o teto? Pena que a idéia, até onde sabemos, nunca tenha se concretizado.
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