John C. Dvorak

John C. Dvorak
PC Magazine
Vídeo no seu bolso - use-o!
Quarta Feira, 29 Novembro, 13h18

A sutil reviravolta que os vídeos na web deram ainda não foi compreendida ou digerida por completo. Sendo assim, as implicações continuam desconhecidas. Mesmo supondo que não exista alguma importância, eles já estão surtindo efeitos. Mais quais?

O fato é que a internet é, simplesmente, a próxima geração de distribuição notícias e informações. Em uma de minhas palestras, já falei sobre mudanças da mídia e, pelo meu ponto de vista, existem duas formas distintas que se seguirão. A primeira é a mídia linear, impulsionada pela palavra falada (TV, rádio, teatro, filmes, apresentações etc.) e a segunda é o acesso aleatório e a mídia de pesquisa (jornais, livros, revistas e a internet) impulsionada pela escrita.

Estes dois itens estão separados e existe mais competição dentro deles do que no disputa entre os dois. Sendo assim, acredito que dentro das mídias que utilizam voz, a TV compete mais com filmes e o rádio do que com as revistas e livros, por exemplo. Enquanto isso, livros, revistas e jornais competem entre si. E estas são as mídias que serão diretamente afetadas pela nova invasora: a internet. Quem corre mais o risco nessa história são os jornais e as revistas do que a TV e o rádio.

Rádio e TV podem ser transmitidos pela internet, por meio de streaming, podcasts e outros mecanismos como MP3. Sendo assim, a internet não afeta negativamente estes meios, ao contrário, aprimora ainda mais. De qualquer maneira, eu posso continuar com essa opinião por alguns dias, mas o mais interessante acontecimento até agora foi a chegada do YouTube e outros sites de vídeo, o que parece estar afetando o conteúdo dos sites.

Enquanto eu tentava entender os efeitos que o vídeo pode trazer aos sites, finalmente concluí que ele não faz parte do segmento de mídia falada. Não estamos vendo programas de TV na resolução 425x375, o que geralmente aparece nos sites. O que estes vídeos demonstram, na verdade, é uma evolução para as revistas, o que pode mostrar gráficos com movimentos, aumentando o espaço físico para que as revistas possam adicionais mais textos. Este é um novo progresso, depois das fotos preto e branco migrarem para a cor.

O primeiro exemplo dessa progressão foram os GIFs animados, que foram temporários nessa integração. Se uma imagem vale milhões de palavras, então um vídeo de verdade vale milhões de imagens.

Algumas alternativas para criação de matérias já estão sendo criadas. Uma delas é a inclusão de vídeos dentro de textos curtos, fazendo uma reportagem com ilustrações. Se uma reportagem com textos já é efetiva, com a combinação do vídeo ela se torna muito mais atraente para os leitores. A utilização de textos, imagens e vídeo juntos tornam a comunicação muito mais interessante.

Em alguns casos, o vídeo pode ser rejeitado por causa do layout da matéria. Nesta coluna, por exemplo, não existem vídeos. Apenas fotos, algumas vezes. Mas a real barreira de tudo isso pode ser o custo da implementação do vídeo. Antigamente era muito caro e não era prático colocar vídeos em um site. Com a chegada do YouTube, é possível colocar vídeos nos servidores deles e fazer um link para o seu site. Tudo de forma gratuita. Este é um grande atalho. Fico surpreso de como as pessoas não estão aderindo a essa oportunidade.

A má notícia é que a população não pirou de repente com a capacidade de gerar notícias com vídeo; eles preferem invadir a rede com bobagens e ficção. Eu digo que isso é uma má notícia porque muitas coisas que podem ser documentadas, mesmo que de forma amadora, são ignoradas em favor do mundano. Dá para assumir que vídeos de um estudante da UCLA tomando choques dentro de uma biblioteca seriam mais comuns se as pessoas soubessem como usar o celular ou a câmera digital para filmar.

Algo interessante é que amadores podem criar vídeos e colocá-los na internet, assim como uma história pode ser escrita com a ajuda de uma ilustração. Isso é parecido com a velha maneira de se fazer jornalismo. Se por um lado aparecem vídeos com informações falsas, acredito que as pessoas irão se conscientizar e trazer coisas úteis com a junção das ferramentas, mesmo que de vez em quando.

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