O problema começou numa tarde de sexta feira, e foi corrigido apenas no sábado. O serviço ficou fora do ar por longas 19 horas.
Neste interim, os fóruns online ficaram em polvorosa, pois a mensagem de erro do servidor e a resposta da empresa indicava que o problema seria sanado apenas na terça-feira. Eu não sei quem foi o preguiçoso que redigiu essa mensagem, mas acho que algum executivo de alto escalão resolveu tomar uma atitude e ordenou o reparo imediato do problema. Se na segunda-feira o problema ainda não estivesse sanado, o problema chegaria à comunidade de usuários e negócios, deixando a Microsoft no meio de um grande pesadelo.
Um aspecto desse pesadelo deve ser discutido agora. Que tipo de sistema é esse? A utilização de um produto por um usuário legítimo não poderá nunca ser vetada por causa de um erro de autenticação do servidor, jamais.
E isso prova que estes aplicativos Web não são confiáveis. Um ataque hacker aos servidores WGA poderia acarretar em milhões de computadores sem serviço, graças a essa "vantagem" que assinaram, que não faz nada mais além de procurar por cópias pirateadas do sistema operacional. Alguns usuários não são estúpidos, mas foram forçados a utilizar esse sistema. Outros foram cercados ou ludibriados.
Em primeiro lugar: se o WGA fosse bem elaborado, ele traria um código para que o sistema operacional fosse validado durante o período de inatividade do servidor, aguardando o seu retorno. Talvez isso seja muito complicado para os 20 mil programadores da Microsoft. Muito lógico.
E durante esse período, o papo nós fóruns sempre envolvia a migração para o Linux; não há qualquer possibilidade de algo assim ocorrer com usuários Linux. Isso não é o que a Microsoft gostaria de ler, especialmente em seus próprios fóruns. Imagine só o alarde causado caso o problema não fosse sanado antes da segunda-feira.
Software como Serviço
O maior problema aqui, porém, é a genuína ameaça ao "software como serviço" e todo o modelo dos aplicativos online. Este é o modelo que a Microsoft está adotando. Estamos cercados pela noção de que eventalmente utilizaremos Thin Clients e que todos os aplicativos desaparecerão. "Eu só uso Google Docs", me disse um amigo. "Ele é tão bom quanto o Word, e é mais fácil divulgar os arquivos".
Mais fácil divulgar os arquivos? O quão difícil é anexar um arquivo .doc ao e-mail, de qualquer maneira? Credo.
E o que aconteceria durante uma falha de sistema? A perda não seria muito grande, caso você tenha backups, mas nesse caso qual seria a razão para utilizar o sistema online?
Para analizar a falta de lógica de certos modismos, eu utilizo um truque chamado "linha de tempo inversa". "O que acontece se a linha de tempo correr ao contrário?". Você começaria com os aplicativos web, e depois uma nova tecnologia - os computadores desktop com processadores Quad Core e um enorme disco rígido - apareceria. Agora, você não precisa mais trabalhar online. A linha de tempo foi invertida.
Imagine só os argumentos de marketing: "Controle os seus próprios dados!". "Poder de processamento ainda mais rápido!". "Mais barato!". "Tudo na ponta dos dedos!". "Não se preocupe com falhas de rede!". "Mais rápido, barato e confiável". E assim por diante. Consigo até imaginar a discussão dos especialistas de marketing se gabando como os produtos "vendidos em caixas" são melhores que as frágeis aplicações online.
Com os modismos de tecnologia claramente migrando para os aplicativos online, a falha de um importante subsistema na semana passada prova que um problema de rede tem potencial catastrófico. A Microsoft provê software de rede e está familiarizada com grandes instalações. Este "apagão" de 19 horas que a própria empresa mencionou talvez durar até 72 horas aconteceu com a própria Microsoft, e não com a Assisência de Torradeiras do Zé Mané. Então isso é muito assustador.
O que muitas vezes é perdido em análises individuais sobre como proceder com seus dados é o conceito de "ficar à mercê de uma só companhia". Isso é algo que você deve evitar a todo custo. Essa desvantagem da autenticação do Windows é um buraco negro para obrigar aos usuários repensar as suas estratégias.
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