Será que sou o único que pensa que celulares são a ruína da sociedade moderna?
Deixe-me começar esta coluna dizendo que odeio celulares e acredito que eles são a ruína da sociedade moderna. Quase nunca carrego um comigo, e quando o faço é um pré-pago baratinho. Com esse método, minha fatura mensal gira em torno de US$20. E a sua? Além disso, hoje em dia quase todo mundo carrega um celular, então quando preciso fazer uma ligação, pego emprestado de alguém. Quase todos emprestam. E não faço isso porque sou pão-duro. É uma questão de princípios.
Atualmente temos uma multidão de empresas asiáticas entrando e saindo do mercado, tentando vender vários aparelhos com todo o tipo de recursos desnecessários. Um clássico exemplo do que esses telefones podem fazer pode ser visto no meu blog. O querido Jeff Bonforte, que agora trabalha no Yahoo!, fala sobre um celular da Nokia que faz quase, exceto fatiar pão. Ele descreve um processo onde o celular tira uma foto, automaticamente envia a imagem para um blog e depois para um sistema de compartilhamento que a redireciona para a caixa postal de sua mãe. Que bonitinho.
O que a mamãe vai pensar se algum bêbado pegar meu telefone e começar a tirar fotos de decotes? Sério. Esse esquema todo é algo que eu nunca iria querer. Só porque você pode usar vários mecanismos complexos para fazer coisas estranhas não significa que você tenha que ou deva usá-los.
De qualquer forma, toda a indústria de telefones celulares está sendo reduzida à Motorola e Nokia, com todos os outros concorrentes caindo pela tabela. E agora ouvi dizer que a Palm será comprada por uma destas duas gigantes. Eu escrevi alguns anos atrás que a Motorola se tornaria insignificante, graças aos seus péssimos designs. E aí veio o RAZR, que jogou minha teoria por água abaixo. Agora a indústria se parece com o mundo da moda, com visuais atraentes, nomes legais e recursos melhorados.
E é inútil estar na moda se você não é visto. Isto significa que as pessoas com os celulares mais legais os exibem constantemente, seja para ler e-mail ou verificar se chegou algum recado. Eu adoraria pisotear cada telefone usado desnecessariamente por um idiota qualquer que só quer mostrar seu brinquedinho novo.
O telefone, como mecanismo social, sempre foi disruptivo, no sentido que ele tem priorização excessiva nas atividades do dia-a-dia. Você pode estar em uma longa fila em uma loja, e quando o telefone do balcão toca você é colocado de lado enquanto quem ligou ganha toda a atenção do proprietário. De vez em quando ele diz: “Estou com vários clientes esperando para serem atendidos. Vou te colocar em espera”. Mas isso é raro, mesmo porque quem ligou vai desligar, como se isso fosse uma ofensa a ele, e uma venda é perdida. Com o passar do tempo quem liga sempre acaba em uma espécie de situação de prioridade.
O mesmo é verdade com os celulares. Quantas vezes você já ouviu alguém dizer: “Espere um momento, preciso atender o celular”, enquanto a pessoa está na sua frente conversando com você? O mundo é colocado em espera quando um celular toca. O fato é que ninguém “precisa” atender a chamada. As pessoas escolhem isso. Será que a pessoa vai cair dura se não atender? Parece improvável. Toda vez que alguém que esteja com você atender o celular, mostre o dedo do meio e caia fora.
Esses aparelhos não fizeram nada para melhorar a qualidade de vida ou a produtividade nacional. Se fizeram algo, foi exatamente o oposto. Sim, eles são ótimos em uma emergência e úteis para encontrar alguém em uma multidão ou então para se localizar quando se está perdido. Mas somente para isso. Em vez disso, são usados para bate-papos desnecessários e para dar a ilusão de que você importante enquanto berra ordens em seu aparelho em praça pública.
Pessoalmente, espero que nenhum fabricante de celulares tenha lucro e que todos quebrem. Sinto o mesmo quanto àqueles miseráveis dos prestadores de serviços e operadoras, que estão a poucos passos de serem classificados como golpistas de primeira.
A grande questão é: Como foi que deixamos isso acontecer?
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