John C. Dvorak

John C. Dvorak
PC Magazine
As mal-entendidas conseqüências da pirataria online
Quinta Feira, 22 Março, 12h37

Como usar a desorganizada rede P2P para acabar com a pirataria organizada.

Alguns posts em blogs vêm, recentemente, indicando como uma mal-entendida conseqüência de que o BitTorrent e outros sistemas peer-to-peer podem prejudicar seriamente o negócios da pirataria organizada.

Quando você pensa a respeito, se torna óbbvio. De fato, a pirataria online poderia ser usada como uma estratégia da indústria fonográfica e do cinema para acabar com a pirataria. Alguém gostaria de ouvir a idéia? Ou será que existe alguém visionário o suficiente para até mesmo imaginar o conceito?

Vou descrever a arquitetura e a estratégia que a indústria fonográfica poderia desenvolver hoje. Isso pode custar muito menos que a atual e horrível estratégia com processos e fúteis ameaças.

Primeiro passo: Antes de tudo, a entidades que reúnem os produtores de filmes (MPAA) e de música (RIAA) têm que deixar o sistema de troca de arquivos online totalmente maluco. Dê um perdido. Deixe os usuários fazer o que eles quiserem. Vocês não saberão o tamanho do problema, a menos que atinja um nível insano como aconteceu com o Napster, anos atrás, quando milhões de pessoas estavam trocando música no sistema.

Segundo passo: Deixe o extravagante mundo das trocas de arquivos online impactar e arruinar os piratas organizados que vendem CDs, DVDs e outros produtos pirateados. Isso fará com que seus lucros caiam o suficiente, a ponto de eles desaparecerem. Vejamos: Eles já estão trabalhando com uma margem muito pequena. Um DVD pirateado, de boa qualidade, é vendido a US$ 2 na Indonésia. Isso inclui prensagem, contrabando, distribuição, margem de lucro e suborno. Qual será o lucro deles? Eles, obviamente, ganham em cima de um grande volume. Qualquer impacto sobre essa quantidade e eles terão que procurar coisas mais interessantes para fazer.

As conseqüências inesperadas da pirataria online serão, dessa forma, testemunhadas.

Terceiro passo: Agora é a parte mais difícil, porque enquanto os piratas podem ser eliminados, os piratas “light” (aqueles que trocam arquivos online) verão diversão insana na coisa. Esse é o momento da indústria estudar o impacto, visto que a troca de arquivos ficará fora de controle. Se constatar que piratas “light” resultam em aumento de vendas – como foi durante a era Napster – você somente pára com programa e deixa a situação continuar para sempre. Pelo menos, você saberá se o Napster foi ou não um caso excepcional. Se as vendas continuarem a cair e a indústria de filmes também ver o impacto, vocês saberão que o comércio de arquivos é ruim para os negócios, e poderão provar. Até agora, as reclamações das empresas têm sido em vão.

Eu realmente acredito que permitir o compartilhamento de arquivos online para alcançar uma meta certamente aumentará as vendas e essas pessoas ainda irão gostar de ter coisas reais. Muitas trocas de arquivos são feitas em uma tentativa de descobrir o que está no mercado para compra. Estações de rádio ofereciam este serviço, mas provavelmente não mais. Mas com o propósito desses argumentos, vamos dizer que a RIAA ou a MPAA possam mostrar que esses negócios, atualmente, arruinam o mercado. Eles poderiam continuar o processo dessa forma:

Quarto passo: Deixe o negócio atingir o clímax. Tipicamente, se derem uma chance, o mercado irá se encaminhar para uma situação onde um ou dois sistemas de compartilhamento irão se tornar dominantes. É quase impossivel que isso não aconteça. Então, deixe isso acontecer e permita que apareçam alguns players dominantes enquanto outros desapareçam.

Quinto passo: Vocês escolherão os líderes. Vocês compram das empresas ou simplesmente compram as empresas. Vocês podem fazer isso com vários tipos de raciocínio. Você pode dizer que isso é o futuro dos negócios e precisa fazer parte da ação. Ou apenas crie um consórcio de investimento com todos os principais players e a RIAA e a MPAA, depois comece a comprar um atrás do outro até que fique com tudo. Vamos encarar: essas pessoas irão vender.

Sexto passo: Consolide quantos sites você puder, até que tenha um site que todo mundo use. Compre patentes. Neste ponto, se qualquer provedor surgir, compre-o imediatamente ou coloque um processo em cima dele, se você puder.

Sétimo passo – Aqui já é um ponto onde é possível abraçar o processo, agora que o controle é seu. 1) Você pode desenvolver um mega site dentro de site de e-commerce. Esta é realmente a melhor idéia. 2) Você pode derrubar o site e deixar com que os usuários se dispersem – mesmo que eles, provavelmente, apareçam lentamente. 3) Você pode poluir o site com besteiras de várias coisas. 4) Você pode sufocar a largura de banda do site. 5) Você pode criar um banco de dados de usuários para apavorar posteriormente com ordens judiciais.

Essas atitudes deixariam os produtores musicais e os donos dos direitos autorais mais tranqüilos e, talvez eliminasse a pirataria mundial, tudo junto. Mas será que isso é possível?

Sem chance.

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