John C. Dvorak

John C. Dvorak
PC Magazine
E começa a era Vista
Terça Feira, 06 Fevereiro, 09h54
O novo sistema tem poucas novas funcionalidades, mas será que é mais funcional do que já vimos antes?

Desde os tempos do DOS (e também do Mac OS), está acontecendo uma lenta mudança no conceito dos sistemas operacionais. Foram do aumento de funcionalidades para o crescimento da inclusão de novos recursos. Nenhum dos dois é necessário. Isso resultou em uma estranha situação onde a monocultura do Windows da Microsoft e a subcultura do Linux e do Mac OS X fizessem com que o cenário da computação se tornasse estagnado e perigoso. Ao menos que o computador seja refeito do começo, o que não irá acontecer nos próximos 100 anos, estamos no caminho da miséria sem fim. O Vista prova isso.

Comecemos do modo que as coisas poderiam ter começado. No princípio era o DOS, que foi um clone do CP/M. Havia uma razão para lançar novas versões: adicionar funcionalidades aos novos periféricos, drives, portas e outras novidades. Um novo dispositivo sairia dos laboratórios e seria associado a um upgrade de um sistema operacional. A principio esse dispositivo funcionaria com um patche e depois a correção já faria parte de uma atualização do sistema.

Se você se interessava por recursos esquisitos, como a interface gráfica, esta poderia ser um programa separado que funcionasse embaixo do sistema operacional (e não em seu topo). Até o Windows aparecer, o sistema operacional – fosse ele o CP/M, MS-DOS ou qualquer outro relacionado – era constantemente criticado por fabricantes como não sendo um verdadeiro sistema operacional. Essa critica foi o começo do seu fim e a chave para entender o que estava errado. 

Ninguém que utilizou desktops entre 1975 e 1990 soube ou se preocupou que o sistema operacional era somente um interpretador de arquivos. De fato, ninguém realmente sabia o que isso significava. Por que você precisava de um completo sistema operacional em uma máquina com microprocessador rodando Lotus 1-2-3? Você não precisava, mas aquela queixa “que é somente um interpretador de arquivos” nunca acabava.

Então, a IBM, que usou por anos os interpretadores de arquivos da Microsoft, começou a desgostar da situação e convenceu a Microsoft e a si mesma que algo mais substancial deveria ser desenvolvido. Isso somente aconteceu enquanto várias iterações do Unix começaram rodar em máquinas de menor porte. O Unix era um sistema operacional real e perfeito para se usar. Em vez de rodar programas práticos e tornar o trabalho realizado, você pode se divertir com as vísceras da máquina.

De qualquer maneira, a IBM começou a desenvolver o OS/2 e a Microsoft, baseada nisso, teve uma ótima idéia com o Windows. Ambos eram algo mais do que simples interpretadores de arquivos (embora não fossem muito mais que isso). Com o tempo, os recursos desse novo sistema se tornaram mais importantes do que a performance ou qualquer outra coisa. Eles aderiram a ícones animados, pop-ups transparentes, telas de rolagem e vários utilitários desenvolvidos por outros fabricantes.

Só que a Microsoft decidiu que tudo deveria fazer parte do sistema operacional, ainda que esses recursos não tivessem nada a acrescentar ao sistema. A empresa foi à Justiça para argumentar que o browser seria parte desse sistema, assim como um player de mídia. Alguém disse que a Microsoft teria argumentado que um processador de texto seria parte do sistema se isso não se tornasse um monopólio.

Ninguém poderia ter previsto o que seria um eficiente interpretador de arquivos que evoluiu e agora requer certa quantidade de memória somente para funcionar. Mas será que ele se tornou um sistema genuíno ou somente um interpretador de arquivos com alguns benefícios? Ele se tornou um ferro velho, com uma interface bonitinha e com um preço alto, parecido com uma prostituta de uma avenida badalada usando quilos de maquiagem para disfarçar sua velhice.

Agora nós temos o Vista. Ele se concentra em não ser nada como prometido. Que surpresa. Ele possui poucos recursos novos, mas eu gostaria de saber se realmente é algo mais funcional do que já vimos antes.

Caso à parte, estou fascinado pelo fato dos usuários de Mac acharem que o Vista é ótimo. Essas são pessoas que há muito tempo compraram a idéia de Jobs de que a expectativa é mais importante que o filé. Usuários de PC geralmente preferem o filé à expectativa. Então, o que acontece agora?

Nós começamos a mexer no Vista e ouvimos inevitáveis queixas e também elogios. Mas este sistema operacional não foi desenvolvido para ser um bom candidato para substituir sistemas antigos. Isso é alguma coisa de um novo fenômeno, com pessoas usando máquinas antigas tentando ser mais “experimentais”. E isso significa rodar Linux. 

Este período de transição não será como todos os outros. Teremos mais maquinas órfãs do que antes. Isso pode tomar anos antes do Vista alcançar até 50% de market share. Qualquer coisa pode acontecer. Eu estou de olho.
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