Quantos cliques no mouse você dá por dia? Independentemente de sua resposta, na próxima vez em que você puser a mão nesse dispositivo, envie um pensamento de saúde e vida longa ao inventor do mouse, o Dr. Douglas Carl Engelbart.
Este camarada, que nasceu em 1925 nos Estados Unidos, tem a biografia de um pioneiro. Serviu na Marinha americana na 2ª Guerra nas Filipinas como técnico em eletrônica e operador de radar e, depois disso, graduou-se em 1948 como engenheiro elétrico. Terminou o mestrado em 1952 em Berkeley e, na mesma instituição, obteve seu PhD em 1955, ocasião em que já começava a bolar meios de interagir melhor com os rudimentares computadores de então.
Sua experiência como operador de radar fez com que imaginasse gente lidando com computadores através de monitores visuais baseados em tubos de raios catódicos e manipulando graficamente os dados através de apontadores de tela. Em 1957 foi para Stanford, onde começou a ter idéias sobre como expandir o intelecto humano usando computadores.
Em meados de 1963 e início do ano seguinte, pôs-se a buscar maneiras de selecionar objetos na tela de uma estação de trabalho. Fez experiências com um aparato denominado Graficon, para posicionamento de cursor utilizando um engenho eletromecânico de mesa e depois desenvolveu e testou diversas outras engenhocas com função similar, tais como caneta de luz, trackball, joystick e dispositivos apontadores operados com os pés, com o joelho e até com a cabeça, ou melhor, com o nariz. Até que, finalmente, ele inventou o nosso querido mouse velho de guerra.
Projetado nas oficinas do SRI (Stanford Research Institute), o primeiro mouse tinha apenas um botão e seu mecanismo era coberto por um tosco invólucro de madeira. Bem que o inventor gostaria de ter posto mais botões no aparelho, mas não havia espaço físico para tal. Nas entranhas do implemento, havia duas rodas montadas perpendicularmente entre si, representando os movimentos nos eixos X e Y. O aparelho foi mais tarde patenteado, em 1970, como "Indicador de posição X - Y". Erroneamente diz-se por aí que a patente original é da Xerox. No entanto, a empresa é responsável, isso sim, pela tecnologia da bolinha rolante que hoje é o componente básico do mouse, que gradualmente vai sendo substituído por um tênue feixe de raio laser no mouse óptico.
Encerrando este retrospecto, vale destacar o ano de 1968, quando, no San Francisco's Brooks Hall, o Dr. Engelbart realizou sua histórica demonstração oficial do primeiro mouse de computador, além de um show de hipermídia e uma videoconferência em tempo real. O registro em vídeo deste acontecimento marcante pode ser visto aqui, ótima chance de apreciar este verdadeiro herói em plena ação, pioneiramente ostentando um headset com microfone tipo Madonna, para apresentar avanços realmente memoráveis e que marcariam a história da informática, mas fazendo-o de maneira simpática, totalmente fluida, sem a irritante afetação pernóstica e sem o estrelismo ridículo, típicos dos executivos e marketeiros engravatados, engomados e nojentos de hoje. Atualmente com 81 anos de idade, Engelbart continua na ativa, ocupando um escritório gentilmente fornecido a ele nas dependências da Logitech Corporation, em Fremont, na Califórnia, empresa que é a líder mundial na produção do dispositivo que ele inventou, o mouse.
Voltando à questão inicial, a de quantos cliques no mouse você dá por dia, será que alguma vez já pensou que poderia trabalhar com este dispositivo sem nunca dar um clique com ele, apenas movendo o cursor na tela? É esta a proposta de um inovador site, o www.dontclick.it. Se você se vira bem no inglês, se seu monitor é colorido e tem resolução de tela maior ou igual a 1024 x 768 pixels, se tem instalado o plugin do Flash 6 e se você pilota um computador razoavelmente rápido e COM MOUSE, então pode se preparar para uma experiência bem esquisita. Acesse este site desenvolvido pelo alemão Alex Frank e descubra as maravilhas de uma bela interface em que é proibido clicar. A obra de Alex, realmente notável, é o resultado de seu trabalho final de graduação em "Communication Design" na Universidade de Essen-Duisburg, na Alemanha.
Em alguns casos, para substituir o clique num botão usando o mouse, a interface usa tempo de espera e gestos, como por exemplo o de mover o cursor horizontalmente sobre um botão desenhado na tela, ou mesmo o gesto de circular este botão com o cursor. No caso do tempo de espera, basta deixar o cursor parado durante um certo tempo sobre um botão e ele será ativado.
O mais interessante, e até divertido da interface, é que através dela descobrimos o quanto somos viciados em clicar. Aliás, qualquer um clique dado no decorrer de um visita ao site é considerado erro grave. Basta apenas um clique, dado inadvertidamente ou não, num certo momento e surgirá uma tela simulando estática de TV e admoestando o usuário de que não deveria ter clicado. E mais, que para fins de estatística, deve informar se o reprovável clique foi voluntário ou não-intencional.
Vale a pena tirar um tempinho para conhecer esta interface pioneira com calma e conhecer os sub-tópicos de cada uma das áreas de abordagem: compreender (understand), aprender (learn), explorar (explore) e comunicar (communicate). Se vai emplacar ou não esta idéia de nunca mais clicar no mouse, isso não se sabe. Mas que é uma sacada inovadora, bela e inteligente, isto certamente é.
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