Bruno Fiorentini

Bruno Fiorentini
Yahoo! Tecnologia
O exemplo que vem da Austrália
Quinta Feira, 09 Novembro, 16h46
O mercado da Oceania está fora do eixo de notícias que interessa ao Brasil, mas para quem é do tema convergência de mídia, um bom exercício é acompanhar de perto o que acontece por lá, principalmente na Austrália. Nesse país, de menos de 20 milhões de habitantes, está sendo estruturado um modelo de negócio que em pouco tempo poderá ser corriqueiro nas empresas de mídia de todo o mundo.

Dois gigantes da internet, o Yahoo! e o portal MSN da Microsoft se associaram a grupos tradicionais de comunicação para unir as duas pontas do conteúdo. Aquela produzida no mundo offline a outra do universo on-line. O MSN já opera há alguns anos com o Channel 9 e recentemente o Yahoo! entrou no jogo ao fechar um acordo com o Channel 7, líder do mercado de TV aberta e dono da segunda maior editora de revistas australianas.

A importância dessas parcerias pode ser medida de diversas maneiras, mas a que mais salta aos olhos é a que revela a união pela primeira vez – especialmente no caso do Yahoo! – das grandes marcas da internet com operações offline. O exemplo australiano merece atenção porque dele poderão surgir os modelos que se propagarão para o resto do mundo no caso das operações do Yahoo e do MSN.

Na Austrália, a missão do Yahoo! é integrar os conteúdos produzidos pelas diferentes empresas de mídia do grupo 7 e adotar o conceito de multi-plataforma, onde todos os canais de distribuição (rádio, telefones celulares, TV, internet ou mídia impressa) estão aptos a entregar o conteúdo à audiência.

Enfim, quem determina aonde, quando e como vai consumir o produto de mídia é o consumidor final. Ele passa a ser o editor deste conteúdo e a deter, com isso, a programação de seu canal personalizado. Se altera a vida do usuário e oferece uma alternativa de melhor controle do tempo, esse bem tão escasso nos dias de hoje, o novo conceito trará impactos profundos na forma como as empresas se comunicam com seus consumidores.

Cada vez mais disperso e personalizado, o padrão de consumo de mídia sofrerá modificações profundas. Se aproximará ou distanciará marcas e consumidores vai depender de como os anunciantes e suas agências se prepararão para a nova dinâmica de mercado, onde quem determina a ordem dos fatores é o usuário final. É um novo mundo no qual as oportunidades ficarão bem claras nos próximos anos.
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