Gente cheia de bla bla bla
Sexta Feira, 30 Maio, 18h35
Na semana passada fiz um artigo sobre o discurso clichê, que fala muito em desafio, em crescimento profissional, etc. O assunto gerou muita polêmica e, me parece, deixou a impressão de que julgo os empreendedores - eu incluso - o máximo, e todo o “resto”.
Não é nada disso. Se passei essa sensação, fui totalmente incompetente no que quis dizer e vou tentar esclarecer:
1. Empreendedor é gente. E, como tal, tem empreendedor bom, ruim, ético e pilantra. Existe empreendedor que respeita as pessoas e outros que não. Há o que pensa além de seu próprio umbigo, bem como os que acham que o mundo é seu próprio umbigo.
2. Parece que passei também uma sensação de que ter um sonho empreendedor é mais legal. Que todos devem sonhar o nosso sonho e pronto. Não é isso. Empreender, penso, é apenas uma opção. Já disse isso aqui, mas repito: meu pai foi executivo a vida toda e foi feliz assim. Eu, por outro lado, não conseguiria viver a vida dele e ele, provavelmente, nunca teria conseguido viver a minha.
3. Também parece ter ficado uma impressão de que trabalhar com empreendedor é sempre bom e fácil. Penso ao contrário. Acho que é, na maior parte das vezes, super complicado. Somos uns estressados, malucos, incansáveis, cheios de manias de perseguição e, normalmente, uns caras ligados no 220 o tempo inteiro. Em resumo, gente difícil. Além de enxergarmos o tempo todo coisas absolutamente subjetivas, como sonho, projeto de vida, produtos futuros, etc, etc. o que complica a vida de quem está a nosso lado.
Posto tudo isso, o que eu realmente queria dizer eram duas coisas bem simples:
1. Todos os lados - empreendedores, empregados, freelas, fornecedores - ganham quando há mais transparência nas relações. Quando se consegue estabelecer um “contrato” mais claro e mais explicito, que deixe claro o papel de cada parte e o que cada um ganha, a meu ver, as relações se tornam mais tranqüilas e os conflitos (eles sempre existirão), menores.
2. Gente com bla bla bla - seja empreendedor, empregado, freela ou mesmo amigo pessoal - é gente que enrola, que mente, que não tem nada na cabeça. E, seja um candidato a vaga “blablablando” que gosta de desafio ou um empreendedor “blablablando” um sonho qualquer, é tudo vazio, tudo a mesma coisa e, na boa, uma gente que me dá urghh! Só isso.