Há alguns anos, na época numa fase de virada de vida empresarial, achei que precisava de ajuda e fui procurar um coach profissional. Busca daqui, busca dali, até que me é recomendado um profissional sério, competente, e que já tinha ajudado uma amiga minha.
Marco o papo – não sabia exatamente como a coisa funcionava, se é consulta, reunião, enfim... – e lá fui eu. Acomodo-me desconfortavelmente na poltrona – o desconforto era meu, não da pobre cadeira – e digo, meio que estranhando aquilo tudo: “aqui estou, diga-me o que devo fazer...”, e recebo uma colocação simples de volta: “diga-me você em que lhe posso ser útil”...
Ok, e em mais ou menos uma hora, navego pelas minhas sagas empreendedoras até aquele momento da minha vida, que era repleto de ansiedade por conta da busca – e de não estar encontrando - um novo negócio para investir e me dedicar. Pausa.
O coach me olha, pensa, reflete, me faz umas duas ou três perguntas, me provoca com dois ou três pensamentos, que respondo prontamente, e depois de mais alguns minutos de olhares pensativos, me diz: “bacana, mas você não precisa de mim. As coisas estão claras para você, o que você quer, o que você não quer, os preços que aceita e os que não aceita pagar, sua busca pela realização, etc., etc. Você tem tudo bem claro aí na sua cabeça, coloque apenas um componente tempo nesta equação que as coisas se resolverão rápido e sua ansiedade ficará mais controlada.”
Minha primeira seção de coach vira também a última e saio de lá com um sentimento que misturava uma certa satisfação – tive alta antes mesmo de virar “paciente” – com uma dose de frustração – afinal seria tão bom se ele tivesse algumas respostas mais concretas para mim...
Respostas prontas não existem e um bom coach, penso, é alguém que será capaz de clarear nossos pensamentos, organizar nossas dúvidas, classificar nossas prioridades, simplificar nssos raciocínios e nos colocar de volta em nosso próprio caminho. No meu caso, meu coach achou que tudo isso já estava mais ou menos feito e que o tempo resolveria as coisas rápido... o que de fato aconteceu dois meses depois.
Empreendedores, acredito, por se defrontarem com tantas incertezas, tantas dúvidas, tantos “nãos”, tantos desafios, acabam sendo obrigados a colocar uma dose de energia tão alta em sua empreitada que tudo isso os obriga a uma dose de auto-conhecimento mais alta.
O que não os impede de terem muitas dúvidas, incertezas e angústias. E um jeito que encontrei de minimizar tudo isso foi de encontrar colegas empreendedores para bate-papos, normalmente regados a cafés e pães de queijo num Fran’s ou numa Starbucks da vida, e dividir um pouco as ansiedades, as dúvidas, os caminhos e as opções. Cada um fala um pouco do seu lado e o colega tem oportunidade de retrucar, perguntar, provocar.
De empreendedor para empreendedor funciona de uma forma poderosa para mim. Marco ao menos um Coffee Coach por mês!
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