Chief Provocator Officer
Quinta Feira, 07 Fevereiro, 19h30
Estava contratando um novo profissional outro dia e como empreendedor tem sempre menos recursos do que precisa, ou quer fazer muito mais do que daria com os recursos disponíveis – como queira – estava mostrando e “vendendo” ao meu candidato como o desafio era legal, como nosso formato moderno e aberto de trabalhar poderia ser bacana pra ele, como a nova plataforma que estamos criando é legal, até mesmo essencial pro planeta, etc, etc... quando ele me disse: “tem algo além de tudo isso que você fala, Bob, tem a coisa de aprender muito com você vindo trabalhar aqui...”
Fiquei escutando aquilo e pensando no que ele estava dizendo e acho até que fiz cara de espanto quando do comentário dele, pois ele resolveu insistir, me olhando e dizendo: “é isso mesmo, quero trabalhar em um lugar onde possa aprender com as pessoas... estou cansado de lugares mala...”.
Fiquei refletindo no que ele insistia e me ocorreram algumas coisas:
1. As pessoas começam cada vez mais a escolher seus trabalhos por coisas que vão além de um bom salário, benefícios, etc...
2. Tem gente fazendo opções de ganhar menos e viver mais. De verdade.
3. Há um certo idealismo no ar. Nada de passeata ou cara pintada, mas sinto que a moçada quer trabalhar com algo que acredita, que curta, que não vá contra as crenças e princípios, por mais simples que estes sejam.
4. Tem muita gente – talvez por conta dos tempos de internet, blog, etc – querendo pensar, fazer diferente, refletir, sair do statos quo, quebrar regras e tudo que é pré-estabelecido.
5. E por fim, vejo cada vez mais gente querendo ser desafiada, querendo que peçam a eles que façam coisas que nunca fizeram, que despejem responsabilidades, que peçam criatividade e ousadia deles e lhes dêem espaço pra acontecer.
De onde vem tudo isso? Não sei. Desconfio que de uma somatória de várias coisas como:
1 - termos cada vez mais gente no Brasil com as necessidades básicas atendidas (alimentação, moradia, estudo, etc), portanto buscando satisfazer outras necessidades, somada a 2 – um mundo globalizado com informação circulando em segundos, fazendo com que as pessoas tenham referências que vão muito além da seu bairro, cidade ou país e 3 – um mundo digitalizado que pluga qualquer cidadão com o mundo, a cultura, a história e as pessoas de qualquer outro lugar do mundo instantaneamente, mudando radicalmente o jeito de se encarar um desafio profissional (e pessoal, penso).
Sou otimista e vejo novas gerações chegando aí mais inquietas, mais angustiadas e menos conformadas. Não todo mundo, claro.
E voltando ao meu entrevistado, respondendo a ele que não sabia se ele aprenderia muito comigo disse-lhe que, certamente, eu o provocaria o tempo todo a pensar diferente, a fazer de um jeito que nunca foi feito, a não ficar preso a padrões, regras ou praxes... o que penso que é exatamente o papel que nós, que estamos mais tempo na estrada, temos que adotar com essa moçada.
Disse-lhe que eu seria um máster provocator na vida dele, algo assim como um CPO, ou Chief Provocator Officer, numa paródia bem humorada dos CEOs, COOs, CMOs e tantos outros Cs que designam os super chefes nos EUA.
No que ele abriu um largo sorriso e acho que vai topar o desafio!
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