Qua, 24 Jan - 16h30
Orkut, 3 anos, é preferência nacionalPor Rodrigo Martins
São Paulo, 24 (AE) - O que restou da "febre Orkut"? A comunidade virtual mais famosa do Brasil completou três anos de existência este mês e já deixou de ser novidade há um bom tempo. Mas nem por isso os brasileiros abandonaram o site. Hoje, são nada menos que 23 milhões de perfis que dizem ser do País. Não que o site seja adorado por todos. Não faltam críticas dos usuários ao excesso de spams, à superlotação dos grupos de discussão, que atrapalham a troca de idéias, e à superexposição que as conversas públicas do Orkut trazem. Também não faltam polêmicas. Desde 2005, o site se tornou alvo de denúncias de diversos crimes que estariam ocorrendo em grupos e perfis. Racismo, pedofilia, venda de drogas, entre outros, cometidos por usuários mal intencionados, levaram até os donos do serviço, o Google, a prestar esclarecimentos à Justiça brasileira.
Mesmo com tudo isso, usuários como Vinícius Fiorentino, 25 anos, não se afastam do site. "Depois de todos os problemas do Orkut, tomo mais cuidado para não me expor ", diz. "Mas não quero sair. Todos que conheço estão lá: amigos, pais, irmãs..."
Vinícius tem um motivo a mais para ser fiel ao Orkut. Foi no site que ele conheceu sua noiva, Bruna Severiano, 20 anos. "Fucei o perfil dele, me identifiquei e mandei um recado. Deu certo", diz Bruna, que está grávida de cinco meses.
O cupido virtual foi tão eficiente que, em dezembro, vai ter casório. "O Orkut faz parte das nossas vidas", diz Vinícius.
Para entender o sucesso e a longevidade do site no Brasil, o Google encomendou um estudo. Segundo a pesquisadora da Universidade Católica de Pelotas, Raquel Recuero, a permanência do site no gosto dos brasileiros se deve à popularização que a página teve. "É o que se chama de efeito de rede. Ao atingir uma massa crítica, há estabilização: todos ficam lá porque todos estão lá", diz.