Por Michele Gershberg e Tiffany Wu
NOVA YORK (Reuters) - O Yahoo vai apontar o investidor Carl Icahn e dois de seus indicados para seu conselho, num acordo que encerra uma batalha pelo comando da empresa e torna menos provável um negócio imediato com a Microsoft .
O acordo, anunciado nesta segunda-feira, surgiu apenas 11 dias antes da assembléia anual dos acionistas, na qual Icahn desejava originalmente substituir todo o conselho por seu indicados e derrubar o presidente-executivo, Jerry Yang.
Mas Icahn não parecia contar com o apoio de proeminentes acionistas do Yahoo, como Bill Miller, administrador do fundo de investimento Legg Mason, que na sexta-feira anunciou apoio ao conselho da companhia. O Legg Mason detém 4,4 por cento do Yahoo, segundo informações prestadas às autoridades regulatórias.
A preocupação deles era a de que, além de uma venda para a Microsoft --que indicou que só está interessada em comprar o serviço de buscas do Yahoo--, Icahn não apresentou planos concretos para reverter a situação da companhia, que vem perdendo participação no mercado de buscas para o Google .
"Pode ser que isso gere alguma mudança positiva. Talvez Icahn consiga promover mais reduções de pessoal e convencer a empresa a vender seus investimentos na Ásia", disse Jeffrey Lindsay, analista da Sanford C. Bernstein, sobre o acordo.
"No geral, isso parece tornar muito menos provável uma transação com a Microsoft... Temos o que parece ser um compromisso e, em termos gerais, a maioria desses compromissos, e certamente os que envolveram Icahn no passado, reforçaram a situação vigente."
As ações do Yahoo recuavam 2,8 por cento, para 21,82 dólares, às 12h (horário de Brasília). O preço está bem abaixo da última oferta da Microsoft, no valor de 33 dólares por ação, retirada em maio.
Depois de meses de negociações com a Microsoft, que solaparam a credibilidade de Yang e sua equipe em Wall Street, o acordo com Icahn pode sustentar a posição do Yahoo, pelo futuro próximo.