Ter, 19 Ago - 03h30
A falta de uma política de incentivos do governo, problemas de infra-estrutura e um pesado sistema de tributação são os itens mais apontados por exportadores como entraves à competitividade brasileira no exterior, segundo uma pesquisa do Centro de Excelência em Logística e Cadeias de Abastecimento (GVcelog) da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Eaesp).O trabalho, realizado pelos pesquisadores Alexandre Pignanelli e Juliana Bonomi Santos, com a coordenação do professor Manoel de Andrada e Silva Reis, consultou 258 empresas exportadoras. De um modo geral, os gargalos mais críticos estão relacionados à esfera de atuação governamental e a implementação de melhorias beneficiaria de forma relativamente homogênea a todos os perfis e portes de empresas. "A expectativa é de que o trabalho sirva de parâmetro para novas ações do governo no que diz respeito à política de comércio exterior", explica Reis.
Os exportadores relacionaram ao quesito falta de incentivos governamentais a alta taxa de juros, a ineficiência no trato de barreiras de exportação e a inexistência de programas de incentivo para fornecedores de insumos de exportação. Questões como o câmbio e o custo Brasil são apontados como os maiores entraves no que diz respeito a oferta de preços competitivos. Entre os principais gargalos relacionados à tributação, a pesquisa aponta o excesso de impostos e a dificuldade de ressarcimento de créditos.
Entre os principais gargalos relacionados à infra-estrutura está o elevado custo de transporte, a baixa eficiência dos portos e aeroportos, a situação das ferrovias e rodovias, além da baixa oferta de hidrovias e terminais intermodais.
"Esse é um dos grandes desafios do Brasil para o futuro", avalia a consultora da Confederação Nacional da Indústria (CNI) Sandra Rios. Para ela, solucionar os problemas de infra-estrutura logística traria mais benefícios ao País que muitas negociações comerciais. "Temos muito o que fazer internamente para melhorar a nossa competitividade", afirma.
Pesquisa semelhante da CNI mostra que o Brasil vem perdendo competitividade desde 2001, ao mesmo tempo em que as importações crescem de maneira vigorosa. Segundo o estudo, o ganho de produtividade no Brasil tem sido muito menor que na maioria dos países asiáticos. A causa, segundo Sandra, é a redução dos investimentos, em razão da elevada taxa de juros e das incertezas sobre a economia, entre outros.
A pesquisa, que entrevistou 855 empresas, aponta a taxa de câmbio como o principal entrave às exportações, seguida pelos custos portuários e a burocracia alfandegária. A consultora da CNI citou ainda o baixo investimento em infra-estrutura. As informações são do O Estado de S. Paulo