Por Diane Bartz e Sinead Carew
WASHINGTON/NOVA YORK (Reuters) - A Verizon Wireless voltou atrás nos seus acordos de exclusividade com fabricantes de aparelhos celulares após sofrer pressão de parlamentares norte-americanos e operadoras menores.
A operadora, que é a maior em telefonia celular dos Estados Unidos, afirmou nesta sexta-feira que vai limitar o período de exclusividade com fabricantes de celular para seis meses e permitirá, depois desse período, que operadoras menores vendam os aparelhos.
A medida segue rumores de que o Departamento de Justiça dos EUA estaria fazendo investigações preliminares para determinar se as operadoras do país estariam violando leis de defesa da concorrência ao fecharem acordos de exclusividade para a venda de aparelhos específicos.
Acordos de exclusividade são bastante comuns entre as principais operadoras dos EUA, mas recentemente essas vêm enfrentando a oposição das operadoras menores do interior do país, que afirmam que não têm o poder de voz para fechar acordos do tipo que envolvem os aparelhos mais modernos e populares.
O iPhone é um celular que chamou a atenção entre os acordos de exclusividade uma vez que a AT&T, segunda maior operadora dos EUA, teria um acordo de direitos exclusivos de venda com a Apple desde 2007.
Em uma aparente tentativa de antecipar quaisquer medidas de regulação, a Verizon Wireless, enviou uma carta aos principais parlamentares norte-americanos em 17 de julho propondo limitar seus acordos de exclusividade.
A Verizon afirma na carta que a proposta se aplicaria apenas a operadoras com até 500 mil clientes. No entanto, o porta-voz da operadora Jeffrey Nelson afirmou que ela se aplica a todas as "pequenas" operadoras, mesmo com mais assinantes, sem dar uma definição mais explícita. Assim, a Cellular South, uma operadora que tem sido muito crítica aos acordos de exclusividade, poderia tirar proveito da proposta mesmo tendo por volta de 800 mil clientes, disse Nelson.
No entanto, a proposta não se estende a empresas maiores como a U.S. Cellular, que tem cerca de 6 milhões de clientes e é outra que anda fazendo barulho contra a prática, afirmou Nelson. A U.S. Cellular não quis comentar o assunto.
"Com efeito imediato para operadoras menores ... quaisquer acordos novos de exclusividade que fecharmos com fabricantes de aparelhos irão durar no máximo seis meses --isso para todas as fabricantes e todos os aparelhos", disse o presidente-executivo da Verizon Wireless Lowell McAdam na carta.
Ele afirmou ainda que 24 operadoras pequenas já haviam solicitado que a Verizon eliminasse seus acordos de exclusividade de longo prazo, assinados em fevereiro, com a LG e a Samsung . A empresa está agora ampliando a ideia para incluir todos os modelos de celulares.