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Redes sociais tomam espaço de escolas de idiomas

Qua, 16 Jul - 14h18 Redes sociais tomam espaço de escolas de idiomas

Por Marcus Vinícius Brasil

São Paulo, 16 (AE) - Emily Schrynemakers tem 18 anos, mora em Nova York e fala português fluentemente. Se não fosse pela pronúncia excessivamente aberta do "e" em algumas palavras, seria difícil notar que ela não nasceu no Brasil. Muito menos que só esteve no País por nove dias e que teve apenas sete aulas "tradicionais" de português em toda a sua vida.

Emily aprendeu tudo o que sabe, inclusive gírias e expressões, em redes de relacionamento na internet voltadas para pessoas que querem aprender novos idiomas sem gastar uma fortuna, de forma dinâmica e colaborativa.

"Voltei do Brasil e me matriculei em uma escola de Nova York. As aulas eram muito caras e aprendi pouca coisa. Apenas me ensinaram nomes de cores e comidas, mas nada que pudesse me ajudar a conversar com nativos", diz Emily.

Freqüentadora assídua de redes como Livemocha e iTalki, em um ano passou do básico ao fluente em português. Esses sites reúnem centenas de milhares de pessoas ao redor do mundo que procuram parceiros para trocar conhecimentos em idiomas. E é tudo de graça.

O sistema é simples, descontraído e atrai justamente pela ausência de um método padronizado ou preconcebido. O usuário se cadastra, informa qual é seu idioma nativo e qual língua deseja aprender. A partir daí procura por uma cara-metade lingüística com quem possa iniciar uma colaboração. Os contatos são feitos pelos próprios membros, por meio de programas como Skype e Windows Live Messenger, com auxílio de microfone e webcam.

Mas, se por um lado, a tecnologia proporciona facilidades - como a de aprender um idioma com alguém que fala aquela língua e está a milhares de quilômetros de distância -, por outro ela levanta questões. Como não há metodologia e horários rígidos, os estudantes precisam de mais disciplina, além de encarar problemas típicos da web como spam e usuários falsos, entre outras dores de cabeça.

Há aqueles que desenvolvem seus próprios métodos, como o catarinense Jefferson Silva, que corrige textos enviados pelos seus colegas estrangeiros. Mas há casos como o do paulistano Marcelo Ferreira, que prefere um aprendizado bem informal, baseado em discussões sobre gostos em comum ou outros assuntos do cotidiano.

O segredo é combinar direitinho com seu parceiro de aprendizado e buscar cumprir o acertado.

Clint Schmidt, vice-presidente de marketing do Livemocha, conta que o projeto "surgiu a partir de uma viagem que um dos fundadores, Shirish Nadkarni, fez à Espanha com seus filhos. As crianças haviam estudado espanhol durante vários anos, mas não conseguiam se comunicar com as pessoas."

O site reúne hoje mais de 680 mil registrados e cresce a um ritmo de 50% por mês. Entre os três países que mais participam do Livemocha está o Brasil, ao lado de China e Estados Unidos.

"Livros didáticos ficam menos populares a cada dia que passa. A possibilidade de conectar pessoas com falantes nativos ao redor do mundo torna possível que todos possam ensinar, e não apenas um punhado de professores. Esses dois pontos são muito encorajadores para sistemas de aprendizado online como o Livemocha", diz Schmidt.

Eric Pang, presidente do iTalki, acredita que "se você aprende idiomas com livros tradicionais, em laboratórios repetindo ‘isso é um carro’ sem parar, o processo é ainda pior".

O iTalki possui cerca de 300 mil cadastrados e reúne membros de países como Rússia, China e Coréia. A América do Sul é a terceira fonte de tráfego da rede, com cerca de 14% do total de usuários - apenas 1 ponto porcentual atrás da América do Norte, segunda colocada.

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