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Braz opta pelo silêncio em interrogatório

Qua, 16 Jul - 03h30 Humberto Braz, ex-presidente da Brasil Telecom Participações e braço direito do banqueiro Daniel Dantas, permaneceu calado durante o depoimento ontem na sede da Polícia Federal em São Paulo. Braz recebeu orientação de seus advogados para ficar em silêncio, uma vez que os defensores alegam não ter tido tempo para a leitura dos autos do inquérito.

Eles também levaram em conta o "estado emocional" de Braz, bastante fragilizado por ter sido transferido a uma cela comum, dividida com outros presos no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos, na Grande São Paulo. Os defensores prometem entregar em breve diploma de curso superior do acusado para obter o benefício de cela exclusiva.

Para a PF, a transferência de Braz ao CDP de Guarulhos, horas depois de ele se entregar no domingo, foi legal e seguiu determinação da Justiça. A polícia informou que é procedimento padrão que todo acusado em prisão preventiva seja levado a uma unidade do sistema penitenciário estadual.

Já a defesa do assessor de Dantas acusa a polícia de fazer tortura psicológica e de privilegiar o professor universitário Hugo Chicaroni. Ele e Braz são os dois únicos acusados da Operação Satiagraha que permanecem encarcerados. Ambos foram flagrados tentando dar US$ 1 milhão a um delegado da PF para que o nome do banqueiro e de seus familiares fossem retirados das investigações.

A PF alega que o fato de Chicaroni colaborar nas investigações não lhe garante privilégios. Além disso, no dia 11, a juíza-corregedora da custódia, Monica Aparecida Bonavina Camargo, deu despacho que garantiu a ele o direito de permanecer numa cela da custódia da PF no bairro da Lapa, zona oeste da capital. A fundamentação da juíza é que existem informações de que "há riscos à integridade corporal do custodiado".

O advogado de Braz, Renato de Moraes, disse desconhecer tal decisão e sustenta que a medida é uma "tentativa de desestabilizar emocionalmente" seu cliente. "Não acredito em um estado de direito como se fazia alhures na época da ditadura em que a tortura psicológica possa acontecer", destacou o advogado. "Ele (Braz) se entregou espontaneamente. Foi provado que ele tinha curso superior e havia um depoimento marcado para menos de 48 horas, não havia motivos para essa transferência."

Ontem, a defesa de Braz conseguiu que ele fosse levado para uma cadeia em Tremembé, unidade penitenciária que possui espaço para presos com nível superior. A transferência ocorreu após o depoimento silencioso. Mesmo assim, os advogados do braço direito de Dantas procuraram a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para denunciar tratamento desumano ao seu cliente. Os defensores querem usar o suposto abuso para tentar um habeas corpus que libere Braz.

Habeas corpus

O advogado Alexandre Lopes, sócio do escritório que cuida da defesa de Braz, afirmou que o pedido de habeas corpus de seu cliente já foi encaminhado ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. A expectativa de todos é que o benefício seja assinado "o mais breve possível". Foi solicitado que o habeas corpus já concedido a Dantas na última sexta-feira seja estendido ao auxiliar do banqueiro. As informações são do O Estado de S. Paulo

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