Qua, 16 Mai - 14h16Por Filipe Serrano
São Paulo, 16 (AE) - Na prática, um eletrônico hi-tech consome muito menos energia do que um chuveiro elétrico. Mas, como a tecnologia se torna cada vez mais popular, a tendência é de haver maior demanda por eletricidade. Por exemplo: um PC, contando o monitor, consome em média 500 watts a cada hora. Quase 20% das residências no País, cerca de 10,6 milhões de lares, têm pelo menos um PC, de acordo com dados do Comitê Gestor da Internet (CGI). Imagine se, num belo dia, todos os 53,1 milhões de domicílios brasileiros tivessem computador.
Precisaríamos de 21,4 gigawatts (milhões de watts)adicionais. Se todos ficassem ligados por nove horas e meia, consumiriam a energia gerada em um dia pela hidrelétrica de Itaipu.O cenário piora se incluirmos aparelhos de DVD, TVs, celulares e os conversores para a TV digital, que logo começarão a ser implantados.
Claro que é tudo suposição, mas dá uma idéia do papel dos eletrônicos na demanda por energia. Se a necessidade de eletricidade fosse menor, não precisaríamos construir mais e mais hidrelétricas, termelétricas e/ou usinas nucleares. "Medidas para reduzir o consumo e aumentar a eficiência energética ainda não entraram pra valer na agenda de preocupações mundial, mas elas são cada vez mais necessárias", diz Zeina Al-Hajj, coordenadora do Greenpeace.
Outro problema preocupante é o lixo tecnológico. Na Europa, a quantidade de celulares, televisores e computadores quebrados ou aposentados jogados fora cresce três vezes mais do que o lixo municipal comum, segundo a Agência Européia para o Meio Ambiente.
Algumas empresas adotaram políticas de recolher os eletrônicos usados e enviar para recicladoras (veja texto abaixo). Mas, segundo ONGs, por não haver um controle rígido, em alguns casos os produtos são despachados para países como China e Nigéria, onde a reciclagem, quando ocorre, é feita de maneira imprópria.
Trabalhadores desmontam os aparelhos sem a devida proteção e acabam se expondo - e expondo o meio ambiente - a elementos tóxicos. "Para os países ricos, seria muito caro reciclar da maneira correta. E os fabricantes fogem da responsabilidade sobre os tóxicos que colocam nos produtos", critica Jim Puckett, coordenador da Basel Action Network.