Câmbio derruba volume exportado

Notícias De Agência Estado, Reuters, Magnet e Efe
Câmbio derruba volume exportado
(Agência Estado) Qui, 15 Mai - 03h30

O volume exportado pelo Brasil caiu 4,79% no primeiro trimestre do ano ante igual período de 2007. Foi a primeira redução em quantidade em todas as categorias. O número de empresas exportadoras também encolheu - pouco mais de 2%. Os dados são de levantamento da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) a que o Estado teve acesso. Com base no resultado trimestral, a entidade avalia que a tendência para 2008 é de queda na quantidade exportada, a primeira desde 1999 (0,7% ante 1998).

Para a AEB, dificilmente o governo alcançará a meta de exportar US$ 208,8 bilhões em 2010, prevista na nova política industrial. A quantidade de empresas exportadoras caiu de 13.785 para 13.469 na comparação do primeiro trimestre deste ano com o de 2007. A maior parte da perda é de pequenas, médias e microempresas, diz o vice-presidente da AEB, José Augusto de Castro.

"A tendência para o ano é de uma variação negativa nas quantidades exportadas. O motivo é o câmbio fraco." O quadro atual leva a AEB a avaliar que as medidas do programa do governo "são boas, mas não suficientes para ter um impacto nas exportações". "Não deve chegar à meta de exportação para 2010", afirma Castro.

Duas das principais macrometas do programa são alcançar 1,25% do comércio mundial com vendas de US$ 208,8 bilhões em 2010 e aumentar em 10% a quantidade de pequenas empresas exportadoras. Os dados da AEB revelam que o volume caiu mais em produtos manufaturados (9,26%). Nos produtos básicos a queda foi de 4,39% e nos semimanufaturados, de 3,36%. O que tem sustentado o crescimento das exportações em valor é o aumento de preços, em média de 19,5% no trimestre.

Calejadas com os problema do câmbio, empresas afetadas têm dúvidas quanto ao cumprimento das metas. "O objetivo de aumentar as exportações é ambicioso, mas a indústria da transformação não vai ser responsável por esse crescimento. Pode ser que isso ocorra com o apoio das commodities", disse o presidente da Bravox, Geraldo Borba de Araújo. Uma das principais indústrias de alto-falantes do País, a Bravox fatura R$ 60 milhões por ano e emprega 500 pessoas.

A empresa é um exemplo típico dos efeitos do dólar fraco. Há quatro anos, as vendas externas respondiam por 35% do movimento, fatia que encolheu para 10%. Perdeu mercado no exterior e buscou novos nichos no mercado interno. Em paralelo, passou a importar mais insumos, barateados pelo mesmo câmbio que prejudica as vendas externas.

Para Araújo, contudo, as medidas anunciadas são favoráveis. "Acho que são positivas. Ajudam, mas não sei se vão resolver. Não são suficientes para compensar a valorização. Com o investment grade, é muito provável uma entrada muito forte de recursos e com isso uma queda ainda maior no câmbio." As informações são do O Estado de S. Paulo

 

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