Qua, 10 Jun - 15h45
Os games estão na vida de todas as pessoasPor Rafael Cabral e Jocelyn Auricchio
São Paulo, 08 (AE) - Muito se engana quem acha que a cultura dos games atinge apenas um tipo de pessoa, o geek. Pelo contrário: os consumidores de jogos eletrônicos são, muitas vezes, exatamente opostos. O contador Moacyr Santos, 37 anos, por exemplo, é um fanático por consoles, enquanto a estudante Thalita Carbonini, 20 anos, gosta apenas de alguns joguinhos de celular.
Moacyr tem 120 videogames, de todas as procedências - alguns até repetidos, apenas com as cores trocadas. Sua coleção tem curiosidades como o Casio Loopy, um console feito para meninas, que tem uma impressora embutida para criar adesivos da imagem pausada na tela. Ou o Supergraphic, que durou apenas para ver o nascimento de quatro jogos.
"Todos os meus amigos vieram por meio dos games. É a minha forma de sociabilidade", diz o colecionador, que chegou a aprender japonês para decifrar os manuais dos consoles. O fanatismo é tamanho que, para comprar um protótipo do clássico Atari, ele entrou em um leilão disposto a gastar até US$ 5 mil - e ainda assim ficou sem a relíquia, que acabou arrematada por US$ 19 mil.
Games, para Moacyr, são cultura. Por isso, ele faz parte de um grupo que reivindica uma redução da taxação sobre eles. "O game hoje é considera do ‘jogo de azar’. É um absurdo. O imposto é mais caro que o dos caça-níqueis", reclama.
O engajamento contrasta com a atitude de Thalita, cujo interesse por games se restringe ao jogos de boliche e montanha russa do celular. "Jogo todo dia, principalmente para passar o tempo em aulas ruins", diz ela, que nunca evoluiu para games mais complexos. Ela é uma "desencanada digital", ao contrário do contador expert em tecnologia, que vê nos emuladores de games uma importância histórica.
A falta de habilidade já fez Thalita passar por apuros. Sem muita destreza para manejar seu celular, certa vez enviou um SMS - originalmente para seu namorado - para mais de 70 pessoas. "Gastei tanto que a operadora me ofereceu outro plano", diverte-se ela, que precisa de ajuda até para ligar o Bluetooth do telefone: "não é que eu não sei, mas às vezes esqueço o caminho".
Em outro caso, ela inverteu sem querer a área de trabalho do computador e trabalhou por um tempo com ela de ponta cabeça, já que não conseguia mudar. A estudante é tudo o que Moacyr não é, mas ambos são consumidores assíduos de games, que não estão mais presos a estereótipos. São parte da mesma cultura, que já não tem barreiras para crescer.
Jogos antigos - Os abandowares são jogos ou programas tão antigos que acabaram no limbo do direito autoral. Um game vira abandonware quando a empresa que o desenvolveu fecha e nenhuma outra compra os direitos de uso e atualização da marca, personagens ou programa. Como estão no limbo, os abandonwares podem ser baixados e instalados sem o risco de se infringir nenhuma lei.
Um grande site de abandowares é o Home of the Underdogs (www.homeoftheunderdogs.net). Lá você encontra vários clássicos disponíveis para baixar. Para rodar os jogos antigos de DOS, instale o DOSBox (www.dosbox.com) e reviva o passado.