Qua, 10 Jun - 15h54
Conheça três exemplos de jogos sériosPor Rafael Cabral, Lucas Pretti e Bruno Gallo
São Paulo, 08 (AE) - Os três games abaixo são exemplos de como os jogos podem ser aplicados em situações corporativas:
INFORMAÇÃO - Um exemplo de inovação em games jornalísticos é o Darfur is Dying, da Persuasive Games, em que você se torna um refugiado do Sudão para entender o confronto no país. Ou September 12th e Madrid, jogos que tratam das consequências dos ataques terroristas aos EUA e Espanha, feitos pelo desenvolvedor Gonzalo Frasca.
À frente da newsgaming.com, o uruguaio é o grande nome dessa onda de games noticiosos mais elaborados. Para Frasca, a adaptação de matérias a essa narrativa está apenas começando: "O potencial é enorme. Os games ajudam a entender a realidade de uma forma diferente e fazem pensar. São o equivalente, no século 21, aos cartoons: um novo gênero jornalístico".
A retenção de informação com eles, diz o Poynter Institute, é de 70% a 80%. Outras combinações multimídia não passam de 50%. Já existem até jogos, como o Global Conflicts - Latin America, da Serious Games, que fazem que você seja o jornalista: o jogador que corra atrás da notícia.
PUBLICIDADE - Usar jogos como forma de divulgar um produto tem menos a intenção de vendê-lo e mais a de fazer um trabalho de "branding" (interação do consumidor com a marca, na língua dos publicitários). Bom exemplo é o game de fantasia desenvolvido para uma campanha do guaraná Schin para crianças, o Minischin (www.minischin.com.br).
Como num RPG antigo, de livros, o jogador vai passando de fase conforme suas decisões e chega a diferente finais. A arquitetura criada pela agência IDTBWA fez que o tempo de permanência no site fosse de mais de meia hora, sem nem citar a marca Minischin. Estratégia diferente tem a Nike, que atrai interessados por tênis com o joguinho de customização NikeID (nikeid.nike.com). O consumidor cria o próprio produto ajudado por um designer, online.
Segundo o Nielsen/NetRatings, 70% dos usuários acham que as marcas relacionadas tornam os jogos mais reais. "A estratégia é fazer o consumidor perceber bem a marca, não achar que é algo ‘clique e compre’. Precisa fazer sentido", diz o publicitário Igor Puga, da IDTBWA.
TREINAMENTO - Todo mundo sabe que os pilotos de avião passam por infinitas horas de treinamento em simuladores de voo até finalmente botarem a mão na massa. A ideia por trás dos games de treinamento ou negócio é exatamente a mesma: preparar pessoas para executar as suas atividades futuras na prática, em ambientes que recriam de forma precisa a experiência real.
Um dos mais famosos e pioneiro nesse segmento é o Jogo da Cerveja (beergame.mit.edu), desenvolvido no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos EUA, na década de 60, e que simula uma cadeia de produção. Até hoje ele é usado em cursos de administração. "Pesquisas mostram que as pessoas se lembram de até 90% daquilo com o que interagem", garante Fernando Chamis, diretor da Webcore Games, empresa especializada no desenvolvimento desse tipo de jogo e que atende empresas como Petrobrás e Grupo Solví.