Dois dias depois anunciar formalmente, via assessoria de imprensa, a desistência da oferta pública inicial (IPO) que havia protocolado no ano passado, a Tivit Tecnologia entrou com novo pedido na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O Credit Suisse será o coordenador global e líder da operação.
Em 30 de abril, a empresa tinha solicitado à CVM a retirada de seu
prospecto da análise da autarquia federal. Procurada pela reportagem nesta semana, os executivos da Tivit enviaram nota para dizer que continuavam em período de silêncio mesmo com a desistência, já que o prazo para decidir se manteria ou não a oferta anunciada em 2007 expiraria hoje, 9 de maio. Por este motivo, a empresa não comentou quais os motivos que a levaram a suspender a oferta e se faria uma nova tentativa de abertura de capital.
Quando a crise financeira norte-americana foi deflagrada, algumas empresas brasileiras que estavam na fila para abrir seu capital decidiram suspender, pelo menos temporariamente, seus planos. Porém, o grau de investimento conferido pela Standard & Poor's (S&P) à dívida soberana reavivou as expectativas de uma nova onda de IPOs, já que o selo de qualidade pode baratear o custo de capital externo e gerar fluxo de recursos ao País.
No novo prospecto em análise pela CVM, a Tivit Tecnologia não diz quanto da captação será empregado na expansão dos negócios. No documento que estava disponível anteriormente, a empresa havia dito que essa tarefa consumiria 80% dos recursos.
A empresa colocará no mercado somente ações ordinárias, o que garante a todos os investidores o direito a voto. Porém, o fato de poder opinar não livra os acionistas do "alto grau de risco" embutido nestes papéis. A própria política de expansão da Tivit, fruto da união entre Telefutura e Optiglobe, traz riscos ao negócio, como deixou claro a empresa no prospecto preliminar arquivado hoje na CVM.
Parte significativa da estratégia de crescimento da Tivit está calcada em aquisições no Brasil e na América Latina. "As aquisições apresentam muitos riscos e podemos não alcançar as metas financeiras e estratégicas previstas à época de qualquer transação", diz a empresa em seu prospecto. Uma das dificuldades previstas nesta política é pagar mais pela aquisição do que seu valor real, manter procedimentos e políticas uniformes, além de preservar a qualidade do relacionamento com funcionários, clientes e fornecedores.
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