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Greenhalgh era elo entre Dantas e governo, diz procurador

Ter, 08 Jul - 19h13 O procurador da República Rodrigo de Grandis, responsável pelas investigações que resultaram na Operação Satiagraha, deflagrada hoje pela Polícia Federal, afirmou hoje que o ex-deputado petista Luiz Eduardo Greenhalgh seria "o elo"

entre o grupo formado pelo sócio-fundador do Banco Opportunity, Daniel Dantas, com os poderes Executivo e Legislativo.

Em entrevista concedida hoje na sede da Polícia Federal, Grandis disse que as interceptações telefônicas feitas na operação mostram que o ex-deputado era, inclusive, chamado por dois apelidos: Leg e Gomes. O procurador lamentou o fato de o juiz ter indeferido os mandados de prisão, busca e apreensão referentes ao ex-deputado petista.

Ainda na entrevista coletiva, Grandis informou que o vazamento das informações referentes à operação deflagrada hoje pela Polícia Federal ocorreu em reportagem publicada pela jornalista Andréa Michael, do jornal Folha de S.Paulo, no mês de abril. Segundo o procurador, "a Polícia Federal apurou que a quadrilha entrou em contato com a jornalista para que ela contribuísse com mais informações sobre as investigações". O pedido de prisão temporária e o mandado de busca e apreensão da jornalista, porém, não foram aceitos pelo juiz, embora o procurador sustente que a jornalista vazou dados importantes das investigações para essa

organização, "o que também constitui crime".

O procurador afirmou também que o grupo liderado por Dantas teria realizado algumas operações em conjunto com o grupo liderado pelo investidor Naji Nahas, que atuava como uma espécie de banco e praticava as chamadas operações dólar-cabo, que envolve o envio de recursos ao exterior sem o conhecimento do Banco Central. Com relação ao ex-prefeito Celso Pitta, o procurador disse que ele seria um dos principais clientes de Nahas e recebia grandes quantias de dinheiro sem qualquer atividade que justificasse este recebimento.

A PF está cumprindo mandados de prisão e de busca e apreensão nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Distrito Federal. Ao todo foram expedidas 24 ordens de prisão temporária, dentre elas as de Dantas, Nahas e Pitta, e 56 mandados de busca e apreensão. O advogado de Nahas foi procurado pela reportagem da Agência Estado durante todo o dia, mas de acordo com informações dos funcionários de seu escritório, ele estaria "incomunicável".

O delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiroz, coordenador das investigações da Operação Satiagraha, foi questionado hoje, durante entrevista coletiva concedida na sede da PF de São Paulo, sobre se o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu e o ministro da Secretaria de Planejamento Estratégico, Mangabeira Unger, estão sendo investigados por suposto envolvimento com o grupo liderado por Daniel Dantas. Em resposta, Protógenes disse que essas informações estão sob sigilo e

destacou: "Infelizmente vou ter que declinar da resposta, porque isso faz parte da continuidade das investigações, de conteúdo sigiloso. Ainda não pode ser fornecida ou contextualizada a conduta dessas duas pessoas e o envolvimento delas com a

organização comandada por Daniel Dantas."

O delegado Protógenes disse ter ficado surpreso com a informação de que Naji Nahas receberia informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve, o banco central norte-americano. "Quanto aos indícios de fraude no Fed, muito nos surpreendeu a habilidade de Naji Nahas devido ao megacontato que ele teria no Brasil e no exterior, e que nos conduziu a ter indícios de manipulação do mercado financeiro internacional e até mesmo a taxa de juros do Fed, em que ele se privilegia antecipadamente de informações e passa a aplicá-las no mercado financeiro nacional", disse o delegado. Ele não informou quais informações e sobre

qual período de tempo Nahas teria manipulado, sob a justificativa de sigilo.

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