Por Claudio Prandoni - diretor de conteúdo multimídia da Hive Comunicação e colaborador da Futuro Comunicação
O sucesso incontestável de Guitar Hero no final de 2005 não deixava dúvida: era apenas questão de tempo até anunciarem uma seqüência. O bacana é ver que ao invés de se acomodar numa fórmula de sucesso e replicá-la à exaustão (vide a franquia Megaman) a Harmonix optou por fornecer mais do mesmo, só que melhorado em todos os aspectos e para um público maior.
Além da versão Playstation 2, lançada em novembro de 2006, GH II saiu agora em abril para Xbox 360 - com direito a controle-guitarra próprio para a caixa branca da Microsoft, músicas extras e conteúdo extra para baixar pela Xbox Live, serviço online do console.
Como citado, a fórmula é a mesma da primeira incursão: deve-se pressionar botões de acordo com o ritmo ditado pela música, às vezes pressionando vários juntos, mantendo-os pressionados por um tempo e até distorcendo o som deles - como pode ser feito numa guitarra de verdade. O poder especial Star Power continua presente, aumentando a quantidade de pontos concedidos por acertos.
Apesar de poder ser jogado num controle normal, o grande barato de GH II - assim como no primeiro - é, obviamente, utilizar o controle-guitarra. Ainda que em miniatura, as réplicas de Gibson no PS2 e no X360 emulam de maneira muito divertida a sensação de ser um rockstar dedilhando acordes frenéticos, sensacionais e extasiantes para uma platéia alucinada. Nada mudou na estrutura dela: 5 botões coloridos para as notas, uma alavanca para dedilhar e outra para distorção - além, claro, de outros triviais como Start e direcional. A única exceção fica por conta da misteriosa entrada RJ-11 no X360, onde serão encaixados acessórios ainda não definidos.
No que se refere à jogabilidade, apenas alguns pequenos ajustes como uma tolerância maior de acerto - não é necessário ser tão preciso como no GH original para o jogo computar a nota apertada - e uma facilidade maior para acordes que não exigem dedilhadas - pode-se agora apertar um mesmo que você já esteja segurando outra nota.
Além disso, a impressão geral é que as músicas estão mais fáceis, com ritmos mais simples e previsíveis e solos não tão absurdos tal qual rolava anteriormente em Bark at the Moon. O que adiciona certa dose de complicação é que, em contrapartida, a velocidade de boa fração das faixas parece levemente maior.
Esta seqüência deu também atenção maior ao modo para dois jogadores. Além do presente no primeiro, agora existe também o cooperativo - em que uma pessoa assume a guitarra e outra o baixo ou guitarra base - e um outro em que ambos os jogadores tocam as mesmas notas. Veteranos lembrarão que antes tocava-se partes intercaladas ou diferentes entre si. Isso é legal pois permite medir diretamente o nível de habilidade entre os competidores.
Passando para a lista de músicas, percebe-se uma clara turbinada no rol de canções de bandas famosas. Algumas retornam, como Megadeth e Black Sabbath, e medalhões estréiam, a exemplo de Guns'n Roses, Aerosmith, Kiss e Stray Cats. Um dos estreantes mais emblemáticos é Van Halen, que assumidamente havia negado participar do GH original e agora decidiu embarcar na aventura dado o sucesso da série.
A única falha a ser apontada nas músicas é velha conhecida: como todas são covers algumas acabam não convencendo. Ao passo que em Sweet Child'o Mine parece que Axl Rose é que está cantando, nas músicas dos Rolling Stones e Aerosmith fica mais do que evidente que não são os vocais originais. Pior: chegam a comprometer já que diminuem a ilusão de tocar hits do rock'n roll.
Há de se destacar o trabalho de Marcus Henderson, ex-guitarrista da banda de heavy metal Drist, que proveu praticamente todas as faixas de guitarra do jogo, recriando solos dificílimos como os de Hangar 18, do Megadeth.
Se na setlist, GH II faz bonito, ainda que com pequenos percalços, a parte lúdica segue fiel à idéia de expandir, não inovador. Desta vez há mais aspirantes a artistas para escolher e representá-lo nos shows e festivais - onze contra oito do original. Todos representando estilos distintos como punk, heavy metal, rockabillie e outros e devidamente munidos de roupas alternativas. As casas de show e palcos para espetáculo aumentaram também e possuem muitos elementos animados em cena, criando uma ambientação mais empolgante e pirotécnica. O último estágio é simplesmente impressionante de tão absurdo. Pena que tanto os personagens como partes das fases pareçam extremamente artificiais - muitos têm aquela asquerosa aparência plastificada típica de muitos títulos de nova geração.
Uma adição simples, mas bem bacana é que sempre ao final de cada bloco de canções no modo carreira o público pede bis. Caso você aceite algo especial acontecerá no cenário, como mais luzes, fogos de artifício e cenários de fundo maiores. Isso acaba instigando a curiosidade e a vontade de tocar todas as músicas só para ver o que muda no lugar.
Outra firula bacana que, ainda que não seja essencial, denota a polidez do game é a adição de um modo de treino. Lá pode-se praticar qualquer canção em velocidades baixas, para decorar notas, ou até selecionar trechos específicos de cada uma. Tais seções determinadas pintam também na tela de estatísticas ao final de cada performance em qualquer modo, mostrando sua porcentagem de acertos geral e nas partes - solo, riff, chorus e assim vai.
Por fim, a porção de extras é bem servida. Figuram novamente dezenas de músicas de bandas independentes ou pouco conhecidas dos mais variados gêneros. Além disso, um extenso documentário sobre a produção de GH II também pode ser habilitado e visto, propiciando uma grande profundidade de entendimento sobre o jogo.
Jogo musical definitivo? Ainda não. Mas certamente Guitar Hero II será considerado por muitos como o melhor game do tipo durante muito tempo por conta do apelo junto a um grande público e o esmero na produção.