Por Claudio Prandoni
Nova geração da Microsof quer te conquistar com ação frenética e partidas online
Apesar de o Xbox 360 estar no mercado desde novembro de 2005, há quem diga que ainda não há um killer app para ele, um jogo exclusivo tão sensacional que compense a compra do videogame. "Gears of War" veio, cheio de expectativa, reclamar essa coroa e, se não chega a conquistá-la de maneira incontestável, faz um esforço sincero e digno de muitos aplausos.
Desenvolvido pela Epic Games, mesmo estúdio responsável pela série Unreal, o jogo possui ritmo frenético com tiros e monstrengos voando para todos os lados assim como gráficos ultra-realistas. O que acaba diferenciando Gears de outros títulos similares é o esmero visual aplicado.
A parte gráfica é simplesmente sensacional. As texturas são de uma definição tamanha que parecem efetivamente fotos ou construções feitas de polígonos. Da mesma forma, os modelos de personagens e criaturas são extremamente detalhados e animados fluidamente, mais do que em qualquer outro título já visto.
Alie isso a ângulos de câmera cinemáticos, como a perspectiva sobre os ombros à la Resident Evil 4 e o tremelique quando se corre agachado, bem típico de filmes de guerra, e o resultado é uma experiência que simboliza bem a sinergia que rola atualmente entre jogos eletrônicos e produções cinematográficas.
Até o roteiro, de certa forma, embarca nessa ambição hollywoodiana: um planeta similar à Terra é atacado por criaturas alienígenas chamadas Locust. Para combatê-las há o esquadrão Delta, que recruta para ajudar na empreitada o ex-prisioneiro durão Marcus Fenix - vulgo você, o jogador.
Óbvio que nada disso adiantaria se os controles não colaborassem o que, felizmente, não é caso. Como a visão já lembra, o esquema aqui lembra muito Resident Evil 4. Coloque para os lados para girar sobre o próprio eixo, alavanca para frente para andar e trás para retroceder. O gatilho superior direito aciona as armas enquanto que os botões faciais executam ações diversas, a exemplo de pegar itens, acionar botões e outras que variam dependendo do contexto.
A mais inovadora e bacana é se proteger no cenário, escorando-se em pedras, destroços. Uma vez nesta posição, é possível mirar e atirar rapidamente, voltando a se esconder, andar agachado sob proteção ou mesmo pular de um escudo para outro rolando no chão. De fato, a jogabilidade toda se baseia na sua perícia em saber o momento certo de se proteger e atirar. Quando se expor e atacar o inimigo e quando aguardar ele se descuidar e abrir uma brecha. Apesar de divertida e instigante, tal rotina por vezes se torna repetitiva e enfadonha, constituindo-se na principal falha do game.
Vale o mesmo para os chefões enormes, que não exigem lá muita habilidade também para serem batidos. No geral, Gears é uma aventura que pode ser encarada sem grandes problemas no nível padrão, complicando apenas a partir da metade da jornada e, obviamente, em dificuldades superiores.
Um ponto positivo é que toda a história pode ser encarada em dois jogadores, em modo cooperativo. O mais impressionante é que a qualquer momento uma segunda pessoa pode entrar e sair do jogo, o que acaba tornando-o muito agradável. Não há aquela complicação de menus e reiniciar o nível para habilitar o coop. Essa função vai ainda mais além, permitindo fazer isso tudo em ambiente online, pela Xbox Live. Tão prático e simples que parece magia.
Ainda sobre a Live, impossível não comentar o multiplayer. Simplesmente o mais jogado na rede desde que o game saiu e com bons motivos. As partidas são breves e ferozes, já que as arenas em geral são pequenas e as armas bem destrutivas. Legal também que a Epic está cumprindo a promessa de disponibilizar gratuitamente mapas para os embates pela Internet, garantindo sempre uma nova experiência e prolongando a vida útil de Gears e supre a ausência de bônus habilitáveis e o tempo relativamente curto de jogo - cerca de 12 horas.
Motivo ou não para cair de cabeça no Xbox 360, o fato é que "Gears of War" é disparado um dos melhores jogos da nova geração de consoles. Rumores apontam para o lançamento de uma versão PC, o que permitiria a um público muito maior curtir esta excelente obra.
*Claudio Prandoni é diretor de conteúdo multimídia da Hive Comunicação e colaborador da Futuro Comunicação