Por Claudio Prandoni
Kratos volta ainda melhor na impressionante sequência de God of War
Um dos melhores benefícios trazidos por uma mudança de gerações de videogames é o fato de que a leva de consoles que passa presenteia jogadores com alguns dos melhores títulos feitos para eles.
"God of War II" é prova irrefutável disso. Quando o original saiu em 2005, soprou uma rajada de competência e originalidade em um mercado dominado por seqüências insípidas e variações sem carisma.
O sucesso estrondoso praticamente garantiu o lançamento de uma seqüência que teria como árdua tarefa conseguir agradar novamente o exigente público gamer sem contar desta vez com o fator novidade como aliado.
Felizmente, GoW II é um raro caso em que isso não apenas acontece como também o resultado final supera, ou ao menos se equipara ao predecessor em todos os aspectos. O mais impressionante é que consegue realizar isso mantendo intacta a fórmula que consagrou a franquia, introduzindo apenas alguns pequenos elementos que proporcionam variedade e uma leve brisa de inovação.
O sistema é o tradicional quebra-quebra que caracterizou a primeira aventura de Kratos. Dezenas de inimigos na tela, jogabilidade precisa e fácil de ser dominada, mas ao mesmo tempo apresentando profundidade o bastante para tornar algumas lutas pequenos quebra-cabeças, exigindo estratégia para determinar como eliminar cada monstro e oponente à sua frente.
Agora há seqüências em que se deve dependurar em pontos pré-determinados usando as Blades of Athena, um movimento similar ao presente em jogos da série Castlevania e também nos filmes da série Indiana Jones, quando o herói usa o chicote para balançar por sobre abismos e outros perigos. Outra adição bacana são níveis aéreos nos quais se cavalga no cavalo alado Pégaso atacando meliantes com as correntes e flechadas (sim, outra novidade). Como citei, não são reinvenções da roda espartana, mas certamente adicionam uma variedade de ritmo saudável, que não deixa a jogatina cair na repetição.
Mesmo se esse infortúnio ocorresse, vale destacar que o enredo de GoW II seria forte o bastante para impeli-lo a jogar mesmo assim. Ao passo que no original conhecemos a fundo Kratos e sua origem, desta vez nos deparamos com o destino incerto do guerreiro. Como ele lida com o próprio futuro agora que resolveu as pendengas que o assolavam. O melhor é que as forças envolvidas são bem maiores também. Não se trata mais apenas dos deuses, mas de entidades maiores e o embate entre eles, tendo Kratos como pivô para reviravoltas entre as divindades gregas.
Seguindo a série de provações fantásticas, GoW II consegue fácil a proeza de ser um dos jogos mais bonitos do PS2. Cenários gigantescos são lugar comum, com efeitos de luz pouco vistos até mesmo em consoles de nova geração - a exemplo de efeito de partículas - e texturas competentes. De fato, é difícil imaginar um título como esse rodando no já arcaico hardware de sete anos do videogame da Sony. A primeira batalha de chefe, contra o lendário Colosso de Rodes, já dá o tom da aventura, com doses maciças de ação, violência e grandiosidade épica.
Tudo isso é embalado por uma sensacional trilha sonora que remete a filmes como Senhor dos Anéis e 300, com instrumentos de orquestra se harmonizando para criar um som ambiente e então ir aumentando de ritmo para gerar tensão. Continuam também os corais que marcaram presença no primeiro GoW, conferindo ainda mais um cara de jornada heróica.
Encerrando de maneira esplendorosa o pacote, o DVD do game - que é de dupla camada, ou seja, 9 GB - vem acompanhado de um disco extra com vários bônus tentadores, como making of do jogo, idéias descartadas, trilha sonora e assim vai. No principal, que tem o jogo em si, há apenas algumas (engraçada) roupas secretas e desafios, repetindo o que havia no primeiro "God of War".
Com uma jornada ainda mais extensa que antes - cerca de 16 horas - "God of War II" é o canto do cisne perfeito para o PS2. Um último grande título para lembrar a todos do que o console é capaz. Já que a nova geração ainda não emplacou de vez com um título obrigatório, os consoles passados vão dando conta do recado.
*Claudio Prandoni é diretor de conteúdo multimídia da Hive Comunicação e colaborador da Futuro Comunicação