Noticias sobre Internet, Games, Segurança e Gadgets - Yahoo! Tecnologia

Especial: folha de pagamento das empresas gera disputa entre bancos - Yahoo! Tecnologia

NOTÍCIAS

Adicionar ao Meu Yahoo! RSS

Especial: folha de pagamento das empresas gera disputa entre bancos

Sex, 25 Ago - 07h01 A exemplo de Estados e municípios, empresas de diversos setores estão "vendendo" a instituições financeiras o direito de explorar a folha de pagamento dos empregados. Realiza-se uma concorrência com a participação de vários bancos, vencendo o que oferecer o maior pacote de vantagens, que inclui geralmente um pagamento em dinheiro à corporação. O contrato é por tempo determinado, normalmente cinco anos, assim como o dos entes públicos.

A Arcelor Brasil é uma das empresas que realizaram recentemente um processo desse tipo. Em julho, oito bancos participaram de uma concorrência na companhia com o objetivo de ganhar o direito de fazer o crédito de salário de 14,5 mil empregados do grupo. O vencedor foi o Santander Banespa, que assumirá a função em outubro próximo.

O diretor de Relações com Investidores do Itaú, Alfredo Setubal, disse que a disputa desse nicho de mercado se acirrou, o que estimula os processos de concorrência. Sempre houve negociação entre empresas e bancos para a gestão da folha, mas envolvia geralmente apenas redução de tarifas nos serviços oferecidos aos empregados e à companhia. "Hoje, a negociação é mais ampla, inclusive com pagamento em dinheiro pela instituição financeira."

Para as empresas, a contratação de um banco nesses moldes é vantajosa por implicar a racionalização dos processos - no caso de grupos com várias companhias, em que cada uma trabalhava com uma instituição - e por significar um ganho financeiro. Para os bancos, a vantagem está no acesso a novos clientes, para os quais ofertarão uma série de produtos além das contas correntes, como crédito, seguro e fundos de investimento.

No ano passado, os bancos passaram a disputar com avidez as contas dos funcionários públicos. A maior concorrência foi realizada pela Prefeitura de São Paulo, em outubro de 2005, quando o Itaú pagou R$ 510 milhões para ter o direito de explorar, por cinco anos, a folha de salários dos 210 mil servidores municipais e pagou mais R$ 1,5 milhão para administrar o caixa do município. Já o Bradesco arrematou o direito de pagar os fornecedores da cidade.

Outra importante licitação foi feita em julho deste ano pela Prefeitura do Rio de Janeiro. O vencedor Santander Banespa pagou R$ 336 milhões para assumir a folha de pagamento de 127 mil servidores. Até então, o pagamento do funcionalismo público da administração direta era realizado por meio de 12 instituições distintas, sendo que praticamente metade das operações era coordenada pelo Itaú. Participaram do leilão, além do Santander, os bancos Bradesco, ABN Amro Real e o próprio Itaú.

O que levou os bancos a despertarem, de repente, para esse importante filão foi a necessidade de ampliar os negócios, especialmente o crédito, devido ao cenário de queda das taxas de juros, que reduz os ganhos com títulos públicos. Os funcionários públicos, que têm estabilidade e salários mais robustos, foram os primeiros a atrair os bancos. Agora, os empregados de empresas privadas também atraem, com vigor, o interesse do setor. Os valores envolvidos na área privada são menores, mas alcançam dezenas de milhões, segundo fontes.

A Arcelor Brasil confirmou que houve um pagamento por parte do Santander Banespa para assumir a folha de salário dos empregados, mas não revelou o valor. De acordo com a companhia, a contratação de um único banco como parceiro nessa atividade faz parte do Projeto Sinergias, que visa a redução de custos com a integração das diversas empresas do grupo (CST, Belgo, Vega do Sul, além da Acesita, controlada diretamente pela Arcelor européia). Participaram da concorrência Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú, Unibanco, ABN Amro Real e Santander.

Outra empresa a realizar ampla concorrência foi a Votorantim Industrial, que reúne todas as empresas que compõem o braço produtivo do Grupo Votorantim. O diretor financeiro do grupo, Luiz Felipe Schiriak, disse que os funcionários eram pagos por meio de oito bancos diferentes, praticamente um para cada empresa. Em janeiro, a Votorantim convidou as instituições que já prestavam os serviços para uma concorrência, com o objetivo de transferir ao vencedor o crédito do salário de todos os 30 mil funcionários da parte industrial.

Segundo o executivo, primeiramente o grupo fez uma pré-qualificação para identificar os bancos com cobertura nacional e com plataforma tecnológica compatível com a da corporação. Nesse processo, selecionou quatro instituições. "Essas fizeram propostas e escolhemos a melhor para os funcionários e a empresa", explicou Schiriak. A proposta envolveu um pagamento ao grupo e um conjunto de serviços específicos aos empregados. Ele não revelou o valor recebido.

O banco vencedor na Votorantim, o ABN Amro Real, começou em março a assumir as contas e os postos bancários existentes dentro das empresas do grupo. "O processo continua e acreditamos que até o final do ano o ABN estará com 100% das contas", afirmou o executivo. O contrato foi firmado pelo prazo de cinco anos, e todas as grandes instituições participaram, segundo ele. Para Schiriak, esse movimento é uma tendência na área corporativa. "Os grupos empresariais querem racionalizar os processos e reduzir custos", disse. "Antes fazíamos interface com oito bancos diferentes, duas vezes por mês, pois há o salário e o adiantamento quinzenal. O processo agora é mais simples, o que implica eficiência e economia para a companhia."

Segundo fontes, os bancos mais agressivos nessas concorrências têm sido os estrangeiros ABN Amro Real, Santander Banespa e HSBC. Uma das explicações é o apetite geralmente mais limitado das instituições estrangeiras para novos investimentos no País. Após grandes aquisições que os posicionaram no mercado nacional, esses bancos preferem fazer investimentos menores e crescer de forma orgânica. Além disso, cada grande compra no País precisa de autorização e avaliação prévia da matriz, enquanto essas negociações pontuais com empresas, pelo menor porte, podem ser feitas localmente.

O executivo sênior de Postos de Atendimento Bancário do HSBC, Renato Tundisi, confirmou que o banco vem disputando com interesse a gestão das folhas de pagamento corporativas. "Esses contratos aumentam o relacionamento com a empresa e permitem a venda de produtos diversos aos funcionários por um período de alguns anos", disse. Segundo ele, não existe um modelo único de negociação com as companhias. "Algumas optam por uma negociação mais direta, inclusive por já terem um relacionamento mundial com o HSBC, e outras fazem concorrência ampla, o que vem aumentando nos últimos meses."

O HSBC está presente em 955 empresas de todos os portes, sendo 150 conquistadas apenas neste ano. Entre as que o banco ganhou em 2006 estão Sadia, Grupo Amil e Boticário. De acordo com o executivo, a instituição pretende utilizar essa base de clientes para vender, por exemplo, financiamento imobiliário e crédito consignado, dois produtos em expansão. O HSBC também busca ampliar o volume de recursos administrados, oferecendo fundo de renda fixa com características diferentes dos demais, como ausência de limite mínimo de aplicação e taxa de administração de 2,5%.

Apesar da maior disputa dos bancos pelo nicho empresarial, há um projeto no governo para tornar livre aos empregados a escolha da instituição que creditará mensalmente o seu salário. Se aprovada essa medida, os funcionários de empresas privadas não serão obrigados a manter a conta-salário no banco escolhido pela companhia, o que poderia prejudicar futuros acordos. Para executivos, porém, isso não preocupa. Alfredo Setubal, do Itaú, disse que, aprovada tal flexibilidade, as instituições colocarão no preço das concorrências a perda estimada com os empregados que poderão mudar de banco. "As instituições farão uma projeção e descontarão do preço. A migração nunca é total."

Para Luiz Schiriak, do Grupo Votorantim, é provável que a maioria dos funcionários opte por ficar no banco escolhido pela empresa por causa das vantagens oferecidas nas tarifas e serviços. "As instituições que trabalham dentro das companhias têm condições de oferecer melhores preços porque possuem escala", avalia. Outro fator que levaria os empregados a permanecer no banco escolhido pela corporação é a comodidade, já que essas instituições mantêm agências e postos de atendimento dentro das fábricas.

Últimas Notícias

Copyright © 2009 Yahoo! do Brasil Internet Ltda. Todos os direitos reservados. Política de Privacidade | Termos de Serviço | Central de Segurança | Ajuda