Sex, 03 Jul - 19h50
A Apple combate duramente possíveis concorrentes; fabricantes de clones ficam à beira da ilegalidade.
Por Henrique Cesar Ulbrich
Em uma novela que parece não ter fim, a Apple sempre combateu duramente seus concorrentes diretos. Por isso, seu atual modelo de negócios compreende uma solução fechada e integrada de hardware e software que não pode ser produzida ou sequer licenciada por terceiros. Embora nunca tenha sido realmente questionada por práticas monopolistas, de tempos em tempos aparecem empresas que desafiam o poderio da maçã de Cupertino usando esse argumento.
Desde os dias do Apple II, no final da década de 70, a Apple sempre sofreu com a exploração supostamente indevida de seus produtos. Basta lembrar do famoso caso da americana Franklin Computer, que nos anos 80 produzia cópias exatas (e ilegais) desse que foi o primeiro sucesso da Apple. Ou as dezenas de indústrias brasileiras que se protegeram atrás do escudo da Reserva de Mercado, que proibia importação de computadores, para criar cópias também ilegais dos Apple II.
Os Macintoshes, introduzidos em 1983, com seu projeto de hardware e software monobloco tornaram a clonagem muito mais difícil, legalmente falando. Os concorrentes precisariam fazer um dispendioso trabalho de engenharia reversa para produzir um computador legal e de funcionalidade minimamente compatível, ou partir para a infração de copyright com uma cópia descarada. De fato, os clones ilegais que apareceram em sua maioria foram tirados do mercado pela empresa e seus advogados, e mesmo muitos espécimes supostamente legais foram esmagados – como é o caso da brasileira Unitron, cujo clone alegadamente obediente à lei, produzido por engenharia reversa, foi cancelado por pressão da Apple e do governo americano.
Pouco mais de uma década depois, em 1995, a empresa mudou de idéia e licenciou seu sistema operacional e ROMs para terceiros, permitindo a produção de clones “legalizados”. O programa de licenciamentos, todavia, foi cancelado por Steve jobs em seu retorno à Apple em 1997. A evolução do sistema operacional System 7, que era licenciado, para o Mac OS 8, cuja licença proibia a instalação em outro hardware que não fosse Apple, terminou por enterrar o programa de licenciamento. Desde então, clonar um Apple teria sido, além de ilegal, tecnicamente muito difícil.
Teria sido, e foi durante outra década. Mas em 2006 a Apple resolveu abandonar os processadores PowerPC e adotou a plataforma Intel, a mesma dos PCs padrão IBM . Essa mudança, com uma pitada de inventividade dos hackers de plantão, levou à modificação do sistema operacional Mac OS X para funcionar (ilegalmente) em qualquer PC com processadores Intel. Muitos entusiastas começaram a montar seus “hackintoshes” com PCs comuns e versões modificadas do Mac OS X, a maioria com relativo sucesso.
É nesse ambiente que a Psystar Corporation, fabricante de equipamento de segurança e comunicações, resolveu “peitar” a Apple. Com sede em Miami, lançou em 2008 o que chamou de OpenMac, um PC bastante compatível com um Mac atual e que vem com o sistema operacional da maçã instalado de fábrica. Rapidamente rebatizado como OpenComputer e equipado com o Mac OS X Leopard, o produto da Psystar foi o primeiro hackintosh oferecido comercialmente já pronto para uso.
De 2008 para cá, a Apple e a Psystar têm protagonizado uma queda de braço em público, com vitórias, derrotas e “empates” a cada jogada. De julho a dezembro, ambas trocaram processos na justiça americana, com leve vantagem para a Psystar. Desde então, surgiram mais candidatos a Davi, como a russa Russian Mac, a argentina Openimac, a também americana Quo Computer e a alemã PearPC. Mas 2009 viu a Psystar enrolar-se em problemas com acionistas, que a levaram a pedir concordata em abril.
Acompanhe o desenrolar dessa guerra, que parece não ter um fim muito próximo, pelo hotsite geek.com.br/tags/guerra-dos-clones .
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