Sex, 03 Jul - 03h18
Estudo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) aponta 21 de 41 subsetores industriais pouco ou não afetados pela crise global e com tendência de contágio maior. Sete deles, um terço do grupo em que o risco é identificado, são do grupo de alimentos. "O setor de alimentos é o último em que a crise chega", diz o consultor do Iedi e professor da Unicamp, Júlio Sérgio Gomes de Almeida, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, autor do estudo. "Alimentação é só no final, quando o emprego cai."
O estudo do Iedi foi preparado considerando os dados da pesquisa de produção industrial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) até abril. Gomes de Almeida ressaltou, porém, que a "alimentação já teve subsetores com um desempenho ruim em maio".
Um exemplo destacado na nota do IBGE à imprensa é o de alimentos e bebidas para consumo doméstico, com queda de 2,4% ante maio de 2008. O consultor Sílvio Sales, ex-coordenador de Indústria do IBGE, lembra que outros tipos de produtos estão caindo bem mais.
Para ele, a alimentação vai ser atingida "se o mercado de trabalho, a massa salarial, mostrar um recuo acentuado". Ele considera que "existe esse risco sim", dependendo de os setores mais atingidos na indústria continuarem demitindo. Sales, porém, acha possível também que ocorra o contrário, "um círculo virtuoso, em que a massa salarial aumente e o mercado doméstico sustente a indústria". As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.