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Está perdido? Fé no GPS e pé na tábua

Qua, 02 Mai - 14h06 Está perdido? Fé no GPS e pé na tábua

Por Gustavo Miller

São Paulo, 02 (AE) - Não faz nem um ano que os primeiros navegadores GPS aterrissaram no Brasil. Foram recebidos com um misto de euforia e desconfiança, com comentários do tipo "será que realmente funcionam nas ruas e estradas do País?"ou "agora finalmente o motorista brasileiro vai entrar no Primeiro Mundo!".Hoje, há nada menos do que oito desses equipamentos à venda no Brasil. Então o leitor apaixonado por tecnologia, fica com uma coceirinha atrás da orelha e pergunta a si mesmo se chegou a hora de ter um deles no carro.

Para ajudá-lo a encontrar uma resposta, testamos seis modelos de navegadores GPS . E o resultado final foi que eles são, sim, úteis e ajudam no dia-a-dia do trânsito. Mas ainda cometem erros bobos, como fazer verdadeiros caminhos de rato para chegar ao destino escolhido ou mandar o motorista entrar na contramão.

Todos funcionam de maneira parecida. Basta ligar o aparelho, clicar na opção "Navegador" e informar aonde você pretende ir. Nos aparelhos que usam o software Destinator Navigates (Quatro Rodas, A600, Car Trip 100 e T-Levo), digita-se o nome da cidade, a rua e o número, um de cada vez. Nos outros casos, digita-se o endereço completo de uma só vez. Um mapa surge na tela e dá duas opções: o caminho mais curto ou o mais rápido (o que não quer dizer muita coisa). Selecione uma opção e dê O.K.

Chegou a hora de o GPS fazer sua "mágica", ou seja, determinar a exata localização do veículo e o melhor caminho para chegar ao destino. Isso é feito por meio de informações enviadas por, no mínimo, três satélites em órbita sobre a região naquele momento. Isso pode demorar de segundos até alguns minutos, dependendo de fatores como excesso de prédios, árvores ou outros obstáculos.

Depois que o caminho estiver traçado, é só ligar o carro e seguir as instruções. O navegador "fala" qual deve ser o seu trajeto, mandando o motorista seguir reto ou virar à direita ou à esquerda, com maior ou menor antecedência, dependendo da via. Caso você se confunda e não entre na rua indicada, o GPS avisa que está recalculando a rota e coloca o carro novamente na direção correta.

Às vezes, não dá certo, até porque as informações sobre a cidade ou a estrada mudam ao longo do tempo. Mas, afinal, quem são os brasileiros que já se renderam ao navegador GPS? Em sua maioria, motoristas das classes A e B. São desde empresários que viajam bastante até jovens aficionados por novas tecnologias e carros, que aproveitam o lado multimídia do equipamento, utilizando-o como MP3 player ou para exibir fotos e vídeos.

Várias empresas também colocam GPS em veículos utilizados por seus funcionários. Locadoras de carros, como a Hertz e a Movida, já disponibilizam esses navegadores nos veículos.Até alguns taxistas, que têm fama de conhecer a cidade na palma da mão, já começam a entrar na onda. Na Guarucoop, cooperativa de táxis do Aeroporto de Guarulhos, 200 automóveis têm GPS, até mesmo para transmitir mais segurança aos turistas estrangeiros.

O comerciante Alexandre Rentes, de 28 anos, comprou um T920, da Airis, em setembro. "Preciso visitar clientes em locais que não faço a mínima idéia de onde sejam", diz. Já para o engenheiro Márcio da Graça, de 44 anos, a segurança foi essencial. "Tinha medo de ir a lugares que não conhecia, me perder e ter de parar para pedir informações a estranhos. Minha mãe já foi seqüestrada assim. Com o GPS, eu me sinto seguro", explica.

VEJA COMO USAR O SEU NAVEGADOR DENTRO DA LEI

Até o início de 2006, era proibido instalar no painel do carro qualquer equipamento eletrônico capaz de gerar imagens. Em 16 de fevereiro do ano passado, a Resolução n.º 190 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) determinou que é permitido instalar o GPS no painel do veículo ou em um daqueles suportes que o prendem no pára-brisa, as ventosas. Mas só se pode consultar o mapa com o carro parado.

O que se pede é que, enquanto se estiver dirigindo, o GPS desligue o mapa e oriente o motorista a partir de símbolos e/ou áudio. Como os navegadores no País trazem softwares estrangeiros e a lei de trânsito lá fora não é tão rígida, somente o Delphi está "legal". O Elgin apenas escurece a tela, mas dá para ver o mapa.

Segundo Orlando Moreira da Silva, coordenador geral de Infra-estrutura do Denatran, andar com o mapa ligado na parte dianteira do carro é infração grave: multa de R$ 127, perda de cinco pontos na carteira de habilitação e apreensão do veículo. Na dúvida, esconda o GPS e evite olhar para o mapa.

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