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Brasileiros reprovam evento

Qua, 01 Ago - 14h28 Brasileiros reprovam evento

Por Rodrigo Martins

Valencia, Espanha (AE) - Pela primeira vez, uma delegação brasileira compareceu ao Campus Party. Ao todo, foram 60 jovens brasileiros que participaram do evento na Espanha. Eles foram sorteados em promoções feitas pela Telefônica, patrocinadora do evento, e as organizações Projeto Software Livre (PSL) e BR-Linux.Mas, na hora de encontrar os brasileiros, onde eles estavam? "Alguns foram viajar para cidades da Espanha, como Barcelona. Eu mesmo estou pensando em ir para a Itália fazer um bate-volta", diz o paraense Hirohito Arakawa, de 18 anos.

"Muita gente veio sem computador e não têm o que fazer aqui. Eu trouxe o meu, mas estava mais interessado em ouvir discussões sobre direito digital, já que estudo na área. Mas não há nada do tipo. Meu tempo na web eu passo procurando locais para passear em Valência", diz.

Entretanto, não eram todos os brasileiros que estavam a descobrir as maravilhas da Europa. Três baianos ficaram quase todo o evento na frente do computador, fazendo o projeto de um game em software livre. Só saíram nos últimos dias para fazer compras de traquitanas tecnológicas.

Em equipe, Valéssio Brito, de 22 anos, Alexandre Amorim, de 23 anos, e Humberto Galiza, de 20 anos, dividiam as tarefas: enquanto o primeiro fazia o projeto gráfico, os outros dois cuidavam da parte do código. Foram dias virados sem dormir, só concentrados em terminar o trabalho. "Ainda nem conseguimos conhecer o centro de Valência", diz Amorim.

Freqüentadores do Fórum de Software Livre, em Porto Alegre, os três estão acostumados a participar de eventos em que, até nas brincadeiras, respira-se programação. Mas, segundo eles, no Campus Party, não foi isso o que sentiram. "Estamos decepcionados com o evento. Aqui tem áreas interessantes, como programação e robótica. Mas, se você for ver nas telas dos computadores, ninguém está programando. Todo mundo só está nos games, mesmo aqueles que inscreveram-se para participar de outras atividades", diz Brito.

Para Amorim, a expectativa inicial era aprender mais sobre programação em software livre. "Eu esperava que fôssemos ter um pessoal legal para discutir o assunto aqui na Espanha. Mas, se você olhar na área reservada apenas para quem curte e trabalha com software livre, 90% das pessoas estão usando Windows e rodando jogos. Eu brochei", completa Amorim.

BIENAL VIRA MEGA LAN HOUSE EM 2008

Depois de 11 anos na Espanha, o Campus Party passará, a partir do ano que vem, a ser realizado também no Brasil. Entre os dias 11 e 17 de fevereiro de 2008, o prédio da Bienal, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, deverá receber cerca de 3 mil participantes, que poderão trazer os seus próprios computadores e participar de atividades ligadas a games, programação, robótica, astronomia e modding, entre outros.

O Brasil será o primeiro de 14 países com uma versão local do Campus Party. Os outros ainda não foram divulgados. Em São Paulo, a organização ficará a cargo do Projeto Software Livre (PSL), que já organiza anualmente o Fórum de Software Livre, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Outras organizações, como universidades e centros de pesquisa, também deverão participar do projeto.

De acordo com Marcelo Branco, um dos responsáveis pelo PSL, o evento em São Paulo deve ganhar uma "tropicalização". "Iremos adaptá-lo para a realidade brasileira", explicou. "Incluiremos programação sobre inclusão digital e ampliaremos o espaço para software livre e confecção de conteúdos culturais colaborativos, que são fortes no Brasil".

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