
Por Julio Preuss
Cartão de memória é tudo igual, certo? Claro que não. Fora a variedade de padrões, existe a questão da velocidade e até da resistência. Além disso, de vez em quando um fabricante tem um lampejo de criatividade e aparece com um produto realmente diferente – como os microdrives da IBM, que multiplicaram várias vezes a capacidade disponível na época ao usar um minúsculo HD em vez de memória flash.
Desta vez, a criatividade ficou por conta da Sandisk, um dos principais nomes em cartões de memória, e seus SD+USB. Parte da linha Ultra II, de cartões de memória de alto desempenho, esses chips seguem o padrão SD – o mais usado atualmente – mas acrescentam a ele um conector USB para permitir que o cartão seja ligado direto no computador, sem necessidade de cabos e adaptadores.
A primeira sensação ao manusear um SD+USB é de incredulidade. Como pode um cartão tão fino esconder um conector que normalmente já é mais espesso que um SD? É que o conector em questão é só o miolo de um típico plug USB: uma lingüeta plástica com quatro contatos metálicos, sem o encaixe prateado em volta. Por conta disso, é preciso tomar cuidado para não espetá-lo de cabeça para baixo.
O conector fica escondido na metade oposta à que traz os contatos do padrão SD. Para revelá-lo, dobra-se o cartão ao meio, num procedimento que só o tempo nos permitiu realizar sem medo de quebrar o produto. Um dos lados do cartão tem impresso um ícone branco, para ninguém tentar dobrar no sentido oposto, mas é só lembrar que ao destacar o plugue USB, os contatos do SD ficam quase totalmente encobertos.
Praticidade total, velocidade questionável
Além de facilitar bastante o processo de transferência das fotos da câmera para o computador, o conector escondido permite usar seus cartões de memória como pendrives, para transportar quaisquer arquivos de um lado para o outro. E a própria Sandisk estimula isso, tanto que inclui na embalagem um pequeno estojo de plástico para quem quiser levar o cartão consigo como se fosse um chaveiro.
Já experimentamos nossos dois SD+USB – um de 1 GB e outro de 2 GB (a versão de 4 GB acaba de ser lançada) – em diversos computadores e eles sempre foram reconhecidos quase instantaneamente, sem a necessidade de instalação de drivers. O único senão foi em um notebook que tinha as portas USB um pouco recuadas – como o plugue tem o comprimento exato, as laterais do cartão acabaram impedindo o encaixe.
Outro ponto questionável dos cartões, embora este nada tenha a ver com a facilidade do conector USB, é a velocidade. Lembra que mencionamos que os SD+USB são parte da linha Ultra II, que promete velocidades superiores aos cartões comuns? Pois aproveitamos a disponibilidade de um par de SDs da linha básica da mesma Sandisk para fazer a comparação e isso não se mostrou exatamente verdade.
Segundo a análise do HDTach, todos os cartões trabalham com uma taxa de leitura na casa dos 10 MB/s – 67X, para quem usa a velocidade básica dos primeiros CD-ROMs (150 KB/s) como unidade. Nada mal... até dá para considerá-los cartões bem rápidos, já que, no passado, cansamos de pagar mais caro por CompactFlashes de 8X e 12X. O problema é que os Ultra foram sempre iguais ou mais lentos que os comuns! A praticidade mais que justifica o preço maior – mas a velocidade, não.