Por Julio Preuss
A avaliação da Photosmart R707, nos idos de 2005, foi o primeiro sinal de que a HP tinha alguma chance no mercado de
câmeras digitais, depois de um início marcado por produtos de qualidade duvidosa, indignos da reputação da empresa em outros segmentos. Quando testamos a R817, meses depois, pudemos confirmar a evolução da linha de digitais ultracompactas da marca e constatar que a HP tinha
mesmo se redimido.
Agora, passado mais um ano, recebemos um novo modelo da linha para testar: a Photosmart R967, vendida nas lojas virtuais brasileiras por exagerados R$ 2,6 mil. Trata-se de mais uma ultracompacta de corpo metálico, no estilo das que avaliamos anteriormente, mas com linhas ainda mais arredondadas e algumas novidades para tentar mantê-la competitiva. Será que adiantam?
A grande mudança nas especificações – o sensor de 10 megapixels, o dobro dos 5 MP dos anteriores – pode ajudar no marketing, mas já cansamos de dizer que não serve pra nada em termos de qualidade de imagem (pelo contrário). Por outro lado, o alcance do zoom, equivalente a 35-105mm, continua nos irrisórios 3X das compactas de anos atrás e de câmeras atuais bem menores que a R967 (até a R817 era melhor nisso, com zoom de 5X). É um quesito em que a HP definitivamente precisa melhorar.
Também sentimos falta de recursos como o polêmico modo de alta sensibilidade (a R967 só suporta
ISO 100 a 400, quando há concorrentes que chegam a ISO 3200), do recém-popularizado foco de prioridade facial e, principalmente, de algum sistema de estabilização de imagem. Sem nada disso, a nova HP acaba destoando das digitais de mesmo nível de preço lançadas este ano por suas rivais.
Os pontos positivos
Já o visor de LCD, que cresceu para 3 polegadas, tem 230 mil pixels e ângulo de visão de 170 graus, é a prova de que a empresa consegue acompanhar pelo menos algumas tendências. O modo de vídeo VGA (640x480) a 24 quadros por segundo é outro bom exemplo. Só não espere gravar mais de uns pouco segundos nos 32 MB de memória interna – um cartão SD extra é indispensável.
Como tem acontecido em várias câmeras híbridas, a R967 tem dois disparadores: um para fotos e outro para vídeos. Os controles, aliás, são um ponto forte da câmera – os sete botões na face superior e mais sete na traseira, junto com um intuitivo sistema de menus com opção de texto em português, permitem ajustar quase tudo com facilidade – inclusive abertura e velocidade, um ajuste manual raramente presente nesta categoria.
Mas o sistema de menus é só a ponta do iceberg. Onde a R967 e as câmeras da HP em geral despontam é no software, reflexo do conceito “computador com lentes” que tem guiado seu desenvolvimento. A idéia é que você possa manipular as fotos na câmera, sem precisar de um computador. Efeitos como transformação em preto-e-branco ou sépia, bordas, filtros artísticos e substituição de cores podem ser aplicados depois da foto capturada, sem sobrescrever o arquivo original.
Nos modelos mais novos, esses filtros chegam ao extremos de emagrecer (recurso já presente da R967) e tirar rugas das
pessoas (só nos modelos top), desenvolvido a partir da constatação de que os iniciantes preferem câmeras em cujas fotos aparecem mais bonitos, ainda que menos realistas. Nas câmeras HP acima da R967, o programinha de correção de olhos vermelhos também ganhou a companhia de um redutor de olhos verdes, para corrigir problemas de reflexo na retina de cães e gatos.
Junte a isso a base de sincronia que automatiza a transferência das fotos para o computador, impressora ou Internet (além de ser indispensável para recarregar a bateria de íon de lítio da câmera, já que ela não vem com carregador próprio) e temos uma solução sob-medida para os fotógrafos amadores que não têm (nem querem) muita intimidade com o computador.
Infelizmente, nada disso nos parece suficiente para garantir à HP um lugar ao sol quando o assunto são câmeras – uma ironia, já que a empresa tem dado sinais de que pode dominar todo o resto do “ecossistema” da fotografia digital. Talvez, se adiasse os planos de ocupar todos os espaços e licenciasse suas interfaces e recursos digitais para fabricantes com mais tradição na fotografia, a empresa se saísse melhor.