Por Julio Preuss
Qualquer profissional que freqüente feiras e congressos ou participe de muitas reuniões com pessoas de outras empresas deve ter acumulado (ou jogado fora), ao longo dos anos, algumas centenas de cartões de visita alheios. Há quem consiga lidar com eles de forma inteligente, copiando as informações para o computador ou arrumando todos em arquivos alfabéticos ou pastinhas de plástico, mas a maioria das pessoas provavelmente deixa tudo empilhado na mesa ou dentro de uma gaveta mesmo.
Se você se enquadra nesta última categoria ou se já é organizado mas quer economizar tempo, está na hora de conhecer os
produtos da CardScan. Como o nome deixa claro, tratam-se de scanners e softwares especializados em cartões de visita. Atualmente, a linha é composta por três modelos: CardScan Personal, CardScan Executive e CardScan Team, vendidos lá fora por US$ 160, US$ 260 e US$ 400, respectivamente.
A diferença entre os dois modelos mais caros está só no software, que na versão Team pode armazenar os contatos num servidor da rede, permitindo que sejam compartilhados por toda a equipe. Entre o Executive e o Personal, além de menos opções de exportação no modelo mais barato, temos uma enorme diferença: um é colorido e o outro é monocromático, escaneando apenas em preto-e-branco.
Fisicamente, os dois modelos são parecidos entre si: caixinhas prateadas que lembram uma impressora em miniatura. A versão básica tem uma tampa basculante que se abre suavemente ao toque de um botão, enquanto a executiva é maior e curiosamente mais simples, sem a tal tampinha. Ambas são conectadas ao computador via cabo USB-MiniUSB padrão e não têm nenhum botão ou controle so um led que indica se o aparelho está ligado e pronto para devorar cartões.
Dez cartões por minuto
Testamos a última versão do CardScan basic, inicialmente num computador rodando Windows Vista com o qual o produto se mostrou incompatível e depois num com Windows XP. Escaneamos 30 cartões escolhidos aleatoriamente na bagunça da gaveta de layouts tradicionais a espécimes de fundo preto, em papel fotográfico, impressos na vertical e com nomes e telefones rabiscados à mão.
Depois da digitalização da imagem, é preciso mandar processá-la para que o software que
acompanha o scanner tente identificar e organizar as informações. Isso pode ser feito imediatamente após a leitura de cada cartão, mas achamos mais prático passar logo todos eles e mandar processar tudo de uma vez em seguida. Ao realizar digitalizações em lote (batch), ainda podemos definir anotações ou classificações para todos aqueles contatos de uma vez, para identificar pessoas que você conheceu em um evento, por exemplo.
A primeira parte da tarefa não levou nem 3 minutos (10 cartões por minuto, então) e o processamento dos 30 cartões consumiu pouco mais de um minuto num Sempron 2800+. Exceto por um cartão impresso em papel fotográfico que já estava meio amassado, todos foram puxados pelo motor do scanner e ejetados do outro lado sem necessidade de ajuda. Aliás, é só posicionar um cartão na entrada do scanner que, mesmo com o programa fechado, ele entende o recado e inicia o processo (e o programa, se for o caso).
Reconhecimento ótico de caracteres
O software identifica automaticamente os cartões que foram digitalizados de cabeça para baixo e até aqueles mais criativos, diagramados com o papel na vertical, e gira tudo para a orientação correta. Você acompanha todo o procedimento na tela e vê os contatos serem cadastrados numa lista alfabética. Com o término do processamento, é hora de dar uma conferida para ver se o programa acertou tudo.
Na maioria dos cartões, o resultado do OCR (optical character recognition) é impressionante. Além
de transformar imagens em texto, o programa identifica desde as informações mais óbvias, como telefones e endereços de sites e e-mails, até nomes de empresas, endereços postais, cargos e, claro, o nome da pessoa com direito a acentuação e tudo. O que ele não sabe como classificar vai para um campo de outros. Como a imagem é arquivada junto, você pode conferir os dados e ver de
onde o programa copiou cada coisa, além de marcar os contatos que já foram verificados.
Em nossa experiência, só um cartão com fundo preto e letras azuis não teve praticamente nada reconhecido. Nos demais, logomarcas de empresas com letras misturadas e cartões com texto laranja em fundo branco causaram alguns problemas que tiveram que ser corrigidos manualmente, mas, no geral, ficamos satisfeitos. Ah, e as anotações manuscritas em alguns cartões foram solenemente ignoradas, mas aí já era pedir demais.