Sex, 17 Nov, 11h08

Vêm aí as compactas de 12 megapixels. Infelizmente

Por Julio Preuss, WNews

Na semana passada, ao comentar os rumores sobre a reflex digital D40, da Nikon, fizemos pouco de seus 6 megapixels de resolução. Do ponto de vista mercadológico, uma câmera dessas pode fazer feio perto de rivais (mais caras, há que se reconhecer) de 8 e 10 megapixels. Pior ainda quando comparamos com as compactas, que agora começam na casa dos 7 megapixels e chegam fácil aos 10.

O que dizer, então, da comparação com as câmeras compactas que diversos fabricantes anunciarão na PMA, feira de fotografia que acontece nos Estados Unidos, em janeiro, baseadas em sensores de absurdos 12 megapixels? Isso mesmo: em questão de meses, viveremos a inusitada realidade de um mercado em que digitais compactas chegam ao dobro da resolução de uma reflex recém-lançada!

O “mérito” é da Sharp – principal rival da Sony no mercado de sensores – , que acaba de anunciar (em japonês) um CCD de 1/1,7 polegadas (um dos formatos mais usados nas compactas) com os tais 12 megapixels. Por que escrevi a palavra “mérito” entre aspas? Simples: porque esse tipo de avanço não serve para absolutamente nada além de ajudar na propaganda das novas câmeras.

Excesso de pixels até atrapalha

Na primeira coluna que escrevi para o WNews, há um ano e meio, tentei responder à velha dúvida de “quantos megapixels eu preciso?” e concluí, na semana seguinte, que 5 megapixels são mais que suficientes para a maioria das pessoas. Será que isso mudou tanto nestes 18 meses que agora precisamos de uma dúzia de megapixels numa compacta? É claro que não!

O problema é que, para espremer tantos fotodetectores em uma área tão pequena quanto o sensor de uma compacta, eles precisam ser muito, muito pequenos. No caso do sensor de 12 megapixels da Sharp, estamos falando de menos de 2 microns (0,002 milímetros!) para cada pixel. De cara, as lentes de uma compacta não têm qualidade suficiente para projetar no sensor detalhes tão precisos.

O pior de tudo é que, além de não melhorar a qualidade da imagem, esse excesso de pixels costuma piorá-la, pois a miniaturização também provoca “ruído” na imagem. Isso obriga o fabricante a incorporar algoritmos de redução de ruído ao processador da câmera, o que acaba levando junto a definição da imagem. Em outras palavras, ganha-se resolução bruta, mas se perde qualidade.


 

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