Seg, 9 Abr - 11h15
Por WNews
A primeira reação de quem vê esta pequena obra de arte é de adminração por suas linhas sóbrias, mas modernas. Toda em metal preto e com uma interessante textura de círculos concêntricos que envolve a tampa prateada da lente como as ondulações causadas por uma gota caindo na água, a V610 é uma verdadeira obra de arte - talvez a mais bela câmera que testamos nos últimos tempos.
As dimensões desta pequena notável, 11,1 x 5,5 x 2,3 cm, como já mencionamos na época do lançamento, resultam em um volume que é exatamente a metade de uma Coolpix S4, da Nikon, provavelmente a segunda menor câmera com zoom de 10X em produção hoje. Vai ser compacta assim na China (onde a câmera é fabricada, já que esta tão cedo não deve ser ser nacionalizada)!
Além do diminuto tamanho, outra coisa que chama a atenção nas dimensões da V610 é o seu aspecto "wide". O modelo tem praticamente o dobro da largura em relação à altura, sendo bem mais "comprido" que a maioria das digitais. Remete um pouco à estética das telas de cinema e do videogame portátil PSP e divide opiniões: alguns dos que viram a câmera durante nossos testes gostaram, outros acharam estranho.
A mágica do zoom: 3 x 3 = 10?
Mas, como aparência não é tudo, logo batemos o olho na inscrição em relevo à esquerda da tal tampa prateada: "dual lens". Ao ligar a câmera, a tampa desliza para a esquerda com um ruído metálico que remete ao desembainhar de uma espada, revelando a beleza oculta desta máquina: o par de objetivas Schneider-Kreuznach C-Variogon. Dois círculos sobrepostos, o de cima um pouquinho maior, que, quando coloridos de rosa e azul formam o símbolo desta linha de câmeras, estampado na embalagem e no menu.
A lógica é semelhante à das câmeras reflex com lentes intercambiáveis: em vez de ter um só conjunto ótico com zoom enorme, volumoso e potencial causador de problemas de qualidade de imagem, opta-se por ter mais de um conjunto de lentes. Nas reflex, troca-se a lente inteira. Nas novas Kodak, alterna-se eletronicamente entre uma e outra. E a troca de lente é totalmente eletrônica, sem mudanças físicas, já que cada lente tem seu próprio sensor. Basta desligar um e ligar o outro.
Se na V570 uma das lentes era uma ultragrande-angular fixa equivalente a 23mm, agora ambas são lentes com zoom (interno, que não "sai" para a frente da câmera) de aproximadamente 3X cada. A primeira equivale a uma 38-114mm - as típicas distâncias focais cobertas pelas câmeras com zoom de 3X. A segunda, uma tele de 130-380mm, garante aquela aproximação de que tanta gente sente falta nas digitais ultracompactas.
Ficaria melhor com um estabilizador de imagem, mas já é uma evolução e tanto. Pode-se questionar também o fato de chamarem de zoom de 10X uma combinação que, na realidade, resultaria em apenas 8,77X se o "buraco" entre os 114 e os 130mm não tivesse sido contabilizado, mas dá para perdoar. Pelo menos, desta vez, a câmera deixa bem claro o momento em que o zoom passa de uma lente para a outra, sem recorrer ao zoom digital para tornar a transição menos perceptível.
Controles abundantes, mas um pouco confusos
A operação da V610 se baseia no mesmo sistema de menus e "modos de cena" comum nas câmeras da Kodak e mencionado recentemente na avaliação da C360. Só que, estando algumas categorias acima, o modelo de duas lentes conta com mais botões de controle. Em compensação, abre mão do tradicional seletor giratório de modo de operação e pode confundir um pouco o usuário devido à grande semelhança entre todos os botões - que agrada esteticamente mas não é lá muito funcional.
No topo, da direita para a esquerda, temos o disparador, o seletor do modo de flash, o liga/desliga e um trio de botões com poderosos leds azuis embutidos que alternam entre os modos de fotografia, filmagem e apresentação das fotos capturadas. No resto do entorno da câmera não há um botão sequer - apenas o conector de força, do lado esquerdo, o da base de sincronia (opcional), em baixo, assim como o encaixe do tripé e a porta dos compartimentos da bateria proprietária e do cartão de memória SD.
Na traseira, à esquerda do atraente LCD de 2,8 polegadas, cinco botões dispostos na vertical controlam os modos de cena, apagam fotos indesejadas, acionam o menu, exibem a última foto capturada e abrem o menu EasyShare - este via o indefectível botão laranja que toda Kodak possui. À direita do visor, está o controle de zoom e um conjunto direcional que ajuda na navegação e controla as informações exibidas no LCD e os modos de macro e paisagem.
Algo que chama a atenção (negativamente, desta vez) na operação da V610 é que, imediatamente após a captura, a imagem exibida no visor tem péssima qualidade. Não se trata de compressão progressiva, como em outros modelos, mas de um estranho ruído que leva a crer que a foto ficou totalmente insatisfatória. Quando entramos no modo de "review" ou abrimos a imagem no computador, porém, dá para ver que ela está infinitamente melhor do que parecia. Vá entender...
Transmissão sem fio e uma surpresa
Um recurso muito interessante da V610 que quase passa desapercebido, apesar da inscrição em relevo na lateral direita da câmera, é a conectividade Bluetooth. Além de servir para enviar fotos via rádio para impressoras fotográficas compatíveis, o padrão permite vários tipos de interação com computadores de mão, alguns notebooks e até telefones celulares. Em nosso teste, enviamos algumas imagens (em versão reduzida, para não demorar) para nosso Motorola E398 e, a partir dele, para a Internet, onde foram publicadas no Flickr (veja nosso tutorial) em questão de segundos. Genial!
Apesar da conectividade sem fio, o kit da V610 inclui os cabos de costume - áudio, vídeo e USB/mini-USB - a bateria recarregável e um adaptador bem compacto para ligar a câmera na tomada e reabastecer a bateria, mas nada de adaptador para recarregar a dita fora da câmera. Por trazer 32 MB de memória interna, a câmera não vem com nenhum cartão de memória, mas recomenda-se fortemente a compra de um de, pelo menos, 256 MB, pois as fotos de 6 megapixels ocupam rapidamente a memória interna.
Aliás, viram só que interessante? A tal "guerra dos megapixels" realmente acabou! Dois anos atrás, que imaginaria uma avaliação de câmera digital em que a resolução só é mencionada no penúltimo parágrafo sem que a maioria dos leitores sequer tenha sentido falta? Verdade seja dita, em meio a tantas inovações e recursos, um milhão de pixels a mais ou a menos já não importa quase nada!