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Rede quase sem fios

Ter, 29 Ago - 00h00

Por Julio Preuss

Na primeira vez que se ouve falar da tecnologia de comunicação de dados via rede elétrica, parece tratar-se de um hoax, uma daquelas pegadinhas da Internet. Mas é só pesquisar um pouco para ver que ela existe mesmo e tem até uma associação para promover os principais padrões, a Homeplug Powerline Alliance, que prega um futuro próximo em que bastará plugar seus eletrônicos na tomada para eles se conectarem – entre si e à Internet – pelos próprios cabos elétricos (confira a matéria do WNews sobre esta tecnologia).

Naturalmente, a tecnologia concorre com as já bastante populares redes sem fio. Perde no quesito “liberdade”, já que temos que ficar o tempo todo plugados na tomada, mas pode ganhar em velocidade, segurança, alcance e facilidade de instalação. E quando falamos de eletrônicos que já precisam ficar ligados na tomada mesmo ou cujas baterias duram pouco, a deficiência em relação às redes wireless desaparece. Sem falar que, em alguns casos, as duas tecnologias podem coexistir pacificamente.

O adaptador AirLive Powerline85 HP2000E, da Ovislink, foi o primeiro contato imediato que tivemos com a transmissão de dados pela rede elétrica. O objeto deste teste, distribuído no Brasil pela WDC Networks e vendido por cerca de R$ 200, já chegou criando um clima de expectativa em nosso laboratório – um suspense que durou mais de uma semana até que pudéssemos descobrir se ele funcionava de fato.

Explica-se: recebemos o produto emprestado para avaliar, lemos a documentação, fotografamos de todos os ângulos mas ficamos impossibilitados de testá-lo por um probleminha técnico. Não dá para experimentar uma tecnologia de rede quando só se tem um equipamento, concorda? O coitado vai se conectar a quê? Felizmente, a WDC entendeu nosso drama e logo enviou um segundo adaptador!

Instalação é quase “plug-and-play”

A configuração de uma rede Powerline requer a instalação do software que acompanha os adaptadores em cada computador a ser conectado. Feito isso, a instalação física é muito simples: basta plugar o adaptador na tomada e o cabo de rede (incluído) no adaptador e na placa de rede do computador. Existe também uma versão USB, para micros sem placa de rede, mas esta nós não chegamos a testar.

Depois de tudo conectado, o tal software de configuração mostrará as informações sobre o dispositivo local e começará a procurar outros adaptadores na rede elétrica. Quando você repetir o processo em um segundo micro, deverá encontrá-lo na lista, junto com seu endereço MAC (aquela seqüência de pares de caracteres hexadecimais), um indicador gráfico da qualidade da conexão e a taxa de transferência atingida.

Aliás, o “85” do nome do produto se refere à sua velocidade máxima teórica: 85 Mbps – bem mais que os 11 Mbps das redes sem fio 802.11b ou mesmo que os 54 Mbps das 802.11g. Na prática, nosso par de adaptadores conseguiu se comunicar a quase 80 Mbps, mas não custa lembrar que as redes Wi-Fi também não costumam chegar às suas taxas máximas. Viu como a tecnologia pode ser vantajosa?

Alguém poderia perguntar a distância que separava um computador do outro. Não era muita, devemos confessar, mas o que mais deve interferir numa rede dessas nem é a distância física, mas a fiação elétrica a que os dispositivos foram plugados – que em nosso caso é toda novinha, instalada há pouco mais de um ano. Por conta disso, experimentamos ligá-los em tomadas que sabíamos serem alimentadas por disjuntores diferentes no quadro de luz para ver se a conexão era afetada. Não foi!

O fato de um dos adaptadores estar plugado a um filtro de linha espetado num estabilizador também não pareceu afetar muito a taxa de conexão. A velocidade só despencou mesmo quando plugamos um segundo filtro de linha em série, mas isso também é abusar da sorte, já que o manual do produto recomenda que ele seja ligado direto na tomada, sem extensões ou filtros (o que poderia ser um problema em ambientes carentes de tomadas).

Conexão à Internet requer dispositivo adicional

Vale esclarecer que a rede que montamos é uma legítima LAN, “Local Area Network”, que serve apenas para interligar os computadores. Uma pessoa que assistia ao teste quis logo ver se a Internet estava funcionando bem e ficou muito decepcionada, pois não havia Internet alguma. Como desconectamos os computadores do roteador ligado ao modem ADSL, nossa rede local estava desligada do mundo.

Existem planos para prover o acesso à Internet pela rede elétrica, mas isso ainda não é realidade por aqui. Em nosso caso, o que teríamos que fazer é colocar uma segunda placa de rede em um dos computadores para conectá-lo ao modem da banda larga ou, a solução mais elegante, usar um terceiro adaptador Powerline para ligar o próprio modem – que também tem um conector de rede – à rede elétrica. Dessa forma, todas as tomadas da casa passam a funcionar como pontos de rede conectados à Internet!

Para conectar o modem ou roteador à rede elétrica o procedimento é um pouco diferente, pois não dá para rodar o CD de instalação nesses aparelhos. A configuração, neste caso, é toda automática, mas a administração terá que ser feita a partir de um dos computadores plugados a um outro adaptador Powerline. Nada muito complexo, como já deu para ver pelo processo de conexão de dois micros. A Ovislink também vende, no exterior, modems e roteadores com conectividade Powerline embutida. Com um desses, bastaria plugar o modem de banda larga na tomada e no cabo da TV/telefone para ter a rede Powerline funcionando.

As únicas coisas que você pode precisar configurar numa rede Powerline são o nome da rede e as senhas de segurança dos adaptadores, coisa que só nos parece realmente necessária em escritórios que pretendam implementar duas redes dessas separadas. Como ninguém pode filar sua rede a partir de um carro parado em frente ao prédio, como acontece com as redes sem fio, a segurança é uma preocupação menor.

Para entrar na rede, um espertinho teria que ter um adaptador Powerline – coisa ainda muito menos comum que os dispositivos Wi-Fi – e estar plugado numa tomada do seu prédio, provavelmente do mesmo andar. Mesmo assim, o fabricante garante que o sinal não passa do relógio de medição de consumo elétrico, o que impediria a invasão de uma rede a partir de outro apartamento ou escritório independente (mas isso nós não testamos).

Seja como for, se você decidir pela segurança, basta usar o tal software para definir um nome diferente do padrão para a sua rede e fornecer a senha de cada adaptador conectado. As senhas vêm gravadas no lado de baixo dos adaptadores, junto ao plug que entra na tomada. Por sinal, o ponto negativo do teste: para ler a senha, é preciso tirar o adaptador da tomada.

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