Aristóteles definiu o estudo da retórica (comunicação) como a procura de todos os meios disponíveis de persuasão. Para o filósofo grego, a meta principal da comunicação é a tentativa de levar outras pessoas a adotarem o ponto de vista de quem fala. Ele discutiu também os objetivos do que hoje, passados 2.300 anos, chamamos de emissor, mas seu ponto de vista era como a palavra era utilizada para convencer o receptor.
No processo da comunicação, em qualquer situação, teremos a produção da mensagem por alguém e a recepção dessa mensagem por outros. Se você for analisar o objetivo da comunicação ou o sucesso na obtenção da reação pretendida, precisa saber para quem essa comunicação existiu.
Quando escrevemos para a web, não é diferente. Se você escreve, alguém vai ler. Para quem escrevemos é muito mais importante do que o que escrevemos. Quem está do outro lado da tela? Eles têm a mesma idade que você? Eles têm o mesmo conhecimento que você? Eles vivem no mesmo lugar que você? Quantas vezes você já fez essas perguntas antes de iniciar um texto?
Vamos fazer uma análise de conteúdo de alguns formatos da web. Se estivermos num blog, a escrita se caracteriza com informalidade, tons de brincadeira, poesia, copy&paste de outros conteúdos, citações e qualquer outra coisa séria ou seriamente louca que passe pela cabeça do autor do blog. Num site corporativo, onde uma empresa quer vender seu peixe – porque, na verdade, o objetivo delas é somente comercial e aí lembramos as considerações de Aristóteles – encontraremos uma escrita formal, sem abuso de adjetivos, um texto às vezes monótono, redundante, com relatos sobre a história da empresa, seus objetivos, produtos e serviços. Sempre tome cuidado com esse tipo de conteúdo, coloque na balança os interesses da empresa, o que realmente precisa ser transmitido e em que nível de detalhes, e no que o usuário está interessado, o que ele busca e quer saber.
Cuidado para que textos institucionais não fiquem parecidos com um Contrato de utilização de software.
Finalmente, citando uma outra linha editorial, temos os portais de informação: linguagem simples e direta. Eles têm em mente que o tempo do leitor é limitado, e ainda assim, oferecem a opção de saber mais, usando e abusando de hiperlinks com detalhes sobre os principais acontecimentos. É como ir ao pomar colher uma laranja e retornar para casa com uma salada de frutas. Essa é uma boa prática e o leitor tem a opção de escolher se quer mais informação ou não.
Em todos os casos, acharemos uma forma de entrar em contato, porque o ser humano é geneticamente programado para achar o outro ser humano a coisa’ mais interessante que existe. Se ele escreveu, alguém vai ler. Esse alguém tem direito de dar suas impressões, sugestões, reclamações e críticas. E com essa resposta o emissor terá o seu retorno sobre o objetivo da comunicação: alcancei o que queria com a minha mensagem?
Blogs, empresas e portais, assim como todo o resto, podem ter bem definido o seu público através de pesquisas com usuários ou por perfil de navegação. No entanto, no amplo universo da internet também temos que considerar que a mensagem será recebida por aqueles a quem foi destinada e por pessoas a quem não se destinava. Dessa forma, você pode influenciar tanto a quem pretendia, quanto a quem não pretendia. Tenha isso em mente quando escrever seu texto. Se for uma linha excessivamente técnica, pense nos leigos que procurarão o site.
Comprometa-se com o seu público, descubra quem ele é. Mas tenha liberdade no seu texto para persuadir, informar ou encantar pessoas com outros perfis.
Uma dica da vez
Dicionário: mantenha o dicionário ao seu lado para sempre, mas nunca obrigue quem está do lado de lá a usá-lo. Prefira as palavras conhecidas.
Ao invés de/em vez de: Ao invés de significa ao contrário de, a expressão indica a oposição entre os dois termos: Com a venda da Varig, ao invés de diminuir, o preço da passagem aumentou. Não confunda com em vez de, que significa em lugar de: Em vez de estudar, acabou indo ao teatro. Portanto é errado dizer que Ao invés de estudar, acabou indo ao teatro.
Up the webwriters!