Implantes de chips em gente causam alvoroço

Sex, 17 Fev - 18h04

Por Carlos Alberto Teixeira


O presidente de uma empresa americana de segurança decidiu enfiar chips identificadores nos braços de dois de seus funcionários e no seu próprio. É claro que não foi nada forçado, os empregados toparam. Não deixou de ser uma excelente forma de atrair cobertura da mídia para a firma, a CitiWatcher.com, que nos últimos dias tem sido desbragadamente citada como pioneira na marcação eletrônica de humanos nos Estados Unidos.

O implante dos chips foi feito à guisa de teste de uma nova tecnologia de controle de acesso físico a uma sala onde a empresa armazena fitas de vídeo de segurança para agências governamentais e para a polícia. Os chips empregam a técnica RFID, que se utiliza de diminutos rádio-transmissores de baixo custo que emitem um sinal único de identificação apenas quando próximos a sensores especiais. A tecnologia RFID tem sido vista como uma das indústrias que mais irão crescer nos próximos anos.

No entanto, ativistas e organizações defensoras das liberdades civis opõem-se veementemente ao uso dessa tecnologia de identificação que impinge marcas permanentes a seres humanos. Segundo eles, dispositivos assim poderiam ser utilizados para rastrear as andanças e o paradeiro de quem os tenha implantados no corpo, sem o conhecimento dessas pessoas. O argumento até procede, mas Sean Darks, CEO da CityWatcher, tenta atenuar a coisa, alegando que o pequeno chip encapsulado em vidro é equivalente a um cartão de identificação -- não pulsa nem emite constantemente um sinal. Os defensores da tecnologia, por seu turno, consideram-na aceitável contanto que não seja compulsória.

Segundo a VeriChip, empresa que fabrica os chips que alega serem os únicos aprovados pela FDA (Food and Drug Administration), os implantes foram originalmente projetados para aplicações médicas, mas sua aceitação em outras aplicações tem sido cada vez maior. Até o momento, cerca de 70 pessoas nos Estados Unidos estariam utilizando chips sob a pele.

A notícia dos novos implantados reacendeu a velha polêmica -- será algo bom para a Humanidade marcar as pessoas com chips eletrônicos implantados no corpo? Além da questão da privacidade, uma outra preocupação diante desta novidade, na verdade nem tão nova assim, é saber se esses trequinhos podem fazer mal ao ser humano uma vez encravados em nosso corpo. Para avaliar se faz sentido esta preocupação, vamos dar um rápido rewind na História.

Já faz um tempão que o ser humano urbanóide abandonou o jeito natural de ser. Acaso alguém nas grandes cidades precisa atualmente caçar ou plantar para se alimentar? Que nada. Basta ir ao supermercado, à lanchonete ou ao restaurante. E para quê tanta academia de ginástica, Pilates e aeróbica? É para que nos mexamos e não sejamos sedentários. Afinal, agora não precisamos mais andar na mata, nem subir morro, nem trepar em árvore. Ficamos num escritório sentados o dia inteiro trabalhando e criando barriga. Sem as academias viraríamos grandes bolhas sebentas de gordura.

Com o afastamento de nossas raízes naturais e com o contato diário com substâncias e radiações claramente nocivas à nossa saúde, não é de espantar a quantidade de doenças que nos afligem no mundo urbano. Sim, vivemos mais tempo, porém só à custa de médicos, exames, remédios, academias, cirurgias e tratamentos.

Tão grande é a quantidade de venenos químicos e eletromagnéticos que o ambiente nos inocula o tempo todo, que parece até brincadeira nos preocuparmos com um simples chip implantado em nosso braço. Que mal poderia nos causar? Seria algo pior do que celulares emitindo rádio-freqüência e fones Bluetooth grudados em nossos cérebros? Faria mais mal do que telas de TV e monitores de vídeo colocados a pequenas distâncias de nossos olhos? Seria mais pernicioso do que vivermos imersos numa sinfonia de irradiações, artificiais ou não, vindas de todas as direções?

Há tempos os cristãos vêm dizendo que os chips RFID seriam a "marca da besta", o famoso 666 mencionado no Antigo Testamento, Apocalipse 13:16-18: "A todos, os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos, faz que lhes seja dada certa marca sobre a mão direita ou sobre a fronte, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tem a marca, o nome da besta ou o número do seu nome. Aqui está a sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de homem. Ora, esse número é seiscentos e sessenta e seis."

Quanto ao tal número, nem me meto a calculá-lo. Mas marca da besta ou não, convenhamos, não seria super-prático termos no futuro um minúsculo chip implantado? Ele conteria nossas informações completas de identificação, dados bancários, histórico médico, lista de contatos, status de crédito e senhas de acesso. Dependendo do local de implante no corpo poderia também incorporar telefone celular, HD, câmera digital, walkie-talkie, gravador de áudio e vídeo e link banda larga wireless com a internet. E, se conseguirmos conectá-lo aos lugares certos no cérebro, ele poderia inserir e puxar pensamentos e sensações no núcleo de nossas consciências. Ora pipocas, porque diabos esses cientistas não se apressam e não inventam logo isso?

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